Werther Santana/AE - 23/9/2011
Werther Santana/AE - 23/9/2011

Pai de D. não deve ser indiciado por omissão

Família diz não ter notado nada de anormal com garoto, antes de ação em São Caetano

William Cardoso, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2011 | 22h45

SÃO PAULO - O pai de D., de 10 anos, prestou depoimento ontem e, segundo a delegada Lucy Mastellini Fernandes, não deverá ser indiciado. O menino usou o revólver calibre 38 do pai para ferir a professora Rosileide Queirós Oliveira, de 38 anos, e depois se matar com um tiro na cabeça, há uma semana, na Escola Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, no ABC paulista. Também foram ouvidos a mãe e o irmão.

O pai, que é guarda-civil municipal, chorou por diversas vezes e reafirmou que guardava a arma no alto de um armário de 1,90 metro. No dia da tragédia, havia esquecido de tirar a munição. Também disse que procurou os filhos na escola para questioná-los sobre o paradeiro do revólver. "Não acho que ele foi negligente, não. Até porque sempre orientou os filhos de que tinha arma em casa e de que era o instrumento de trabalho dele, que não deveriam mexer nela", afirmou Lucy.

A delegada falou também que a maioria dos policiais guarda a arma municiada, justamente porque podem usá-la a qualquer momento. "Com o que ouvi hoje, eu me inclino a não fazer o indiciamento."

Sobre o momento em que o pai foi à escola em busca da arma, o irmão mais velho, G., de 16 anos, pediu que D. olhasse a sua mochila para confirmar que o revólver não estava ali. O caçula então respondeu que não tinha tempo para ver o material de G.. "O mais velho não percebeu ali nenhuma dissimulação."

Assim como os professores, ninguém na família notou qualquer comportamento anormal no garoto no dia da tragédia ou nas semanas anteriores.

Apenas um fato teria chamado a atenção. O irmão mais velho, de 16 anos, lembrou de uma conversa que teve em uma manhã, cerca de duas semanas antes do suicídio. Sem entrar em detalhes, ele disse que D. perguntou: "Se eu morrer, você vai ficar triste?". Ele disse "claro que sim", e que não era para o caçula pensar nisso. Depois disso, desconversou. D. também contou ao irmão mais velho que não tinha problema com nenhuma professora.

Colega. A delegada não descarta a possibilidade de D. ter atirado por influência de algum colega. "Às vezes, não teve problema com professor, mas pode ser que algum amigo tenha tido. Se ele fez propositadamente e não tinha motivo, pode ser que tenha tomado as dores de alguém", afirmou. As crianças serão ouvidas na segunda-feira.

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