Rafael Arbex
Rafael Arbex

'Pai' da mountain bike testa ciclovias de SP

Gary Fisher foi visto pedalando pela capital paulista; para ele, ciclovias devem vir acompanhadas de fiscalização e multas

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 21h49


SÃO PAULO - Sob um calor de 30°C, Gary Fisher, um dos criadores da mountain bike, deslocava-se de bicicleta pelo centro de São Paulo, vestindo um traje que incluía colete e calça social. Nesta quarta-feira, 29, a reportagem o acompanhou pelas ciclovias da região. 

Pela primeira vez no Brasil, ele confere a realidade do ciclismo no País. Pedalou por vilarejos da Bahia e falou com cicloativistas na capital paulista, onde nesta quinta deve passear de bicicleta com o prefeito Fernando Haddad (PT).

Já ouviu que homens que andam muito de bike têm problemas com a taxa de espermatozoides? “Besteira”, diz o californiano de 64 anos. “Minha mulher está grávida do meu quinto filho.” Há décadas Fisher anda até três horas por dia de bicicleta.

Em São Paulo, o americano passou por cafés, sebos, agências bancárias, livrarias, lojas de roupas. Os proprietários dos estabelecimentos temeram, meses atrás, perder a clientela com a chegada da via exclusiva e a consequente extinção das vagas da Zona Azul. 

“Comerciantes tiveram incremento de 50% nas vendas após a criação das ciclovias”, afirma Fisher sobre a experiência de Nova York. “Lá, agora, todos querem uma ciclovia, porque tornam os lugares mais agradáveis. As pessoas começaram a sair dos carros e consumir mais.”

Figura descolada, Fisher é tido como um dos melhores projetistas de bicicletas do mundo. Ele vê semelhanças entre sua cidade, São Francisco, e São Paulo. “As ciclovias daqui não se conectam muito bem, mas mudarão, e mais pessoas vão usá-las. Foi assim em Chicago, Nova York e São Francisco.” Para ele, o investimento em ciclovias deve vir acompanhado de fiscalização intensa e multas para motoristas que desrespeitam as faixas exclusivas. 

Fisher aprovou as ciclovias paulistanas. Mas cobra melhor segregação da pista de automóveis. Também afirmou que voltará a São Paulo, quando verá, “com certeza”, mais ciclistas por aí. 

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