Pai acusado de mandar matar filho por Mega Sena

Ambos brigam na Justiça pelo prêmio de R$ 28,8 milhões, que teria sido usado pelo pai para comprar imóveis; irmão do rapaz também estaria envolvido

Fátima Lessa, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

O superintendente da Federação das Indústria de Mato Grosso (Fiemt), Francisco Serafim de Barros, foi preso acusado de planejar a morte de um de seus filhos, Fábio Cézar Barros, de 40 anos, por causa de um prêmio de R$ 28,8 milhões da Mega Sena que ele ganhou há quatro anos. O empresário Fabiano Barros, irmão da vítima, também está preso, acusado de auxiliar o pai.

A denúncia de que pai e filho teriam encomendado a morte do premiado foi feita por pistoleiros que teriam sido contratados para executar o crime. Serafim foi detido na sede da Fiemt na quinta-feira à tarde e Fabiano, à noite, em sua fazenda. A prisão temporária dos dois, por cinco dias, foi determinada pela Justiça de Mato Grosso do Sul.

As investigações começaram depois que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Mato Grosso do Sul apreendeu um carro com dois homens armados que seguiam para Campo Grande (MS). "Eles tinham o endereço da namorada de Fábio e fotos do casal. Os detidos são de Rio Verde, em Goiás, onde o acusado tem investimentos", diz o delegado Luciano Inácio, da Gerência de Repressão a Sequestro e Investigação Especiais (GRSIE) da Polícia Civil de Mato Grosso, responsável pela prisão. No mesmo dia, Fábio visitaria a noiva em Campo Grande, mas desistiu. Segundo a polícia, os presos afirmaram ter sido contratados por Serafim para matar o filho.

Inácio afirma ainda que há um mês o superintendente prestou depoimento sobre o caso e teria tentado reverter a situação denunciando Fábio. "O acusado alega que o filho teria tramado contra ele com o objetivo de ficar com a maior parte dos bens da família. Ele diz que o filho já teria recebido bens da família, mas continuava a pressioná-lo", diz o delegado Inácio.

Prêmio. De acordo com o advogado Ricardo Monteiro, que representa o ganhador da Mega Sena, ao ser premiado, Fábio teria ido até Brasília para receber o prêmio. Como não tinha conta na Caixa Econômica Federal (CEF), depositou o valor na conta do pai, que não quis devolver o dinheiro quando Fábio retornou a Cuiabá. O pai teria usado o dinheiro para investir em imóveis, o que seria a causa do desentendimento na família.

Pai e filho não se falavam há três anos. Fábio recorreu à Justiça para que fosse reconhecido seu direito aos R$ 28,8 milhões do prêmio. Os bens de Serafim foram então bloqueados pela Justiça até que as investigações sejam concluídas.

Serafim já foi superintendente do Banco da Amazônia (Basa) em Mato Grosso e tesoureiro de campanha nas eleições municipais de 2008 do empresário Mauro Mendes, atual pré-candidato do PSB ao governo do Estado. Ontem, seria apresentado formalmente à equipe da Fiemt como o novo superintendente. A federação disse que Serafim foi detido por motivos pessoais e sem relação com a instituição.

Além da prisão temporária, Serafim foi autuado em flagrante por porte ilegal de armas. Com ele, a polícia apreendeu uma pistola 380, duas espingardas calibres 12 e 36 e um revólver calibre 22 e 100 munições.

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