'Paguei por não ter me submetido a um serviço desonesto'

Advogado conta que teve o carro amassado porque não deu gorjeta e analista deixou de ir a estádios por causa dos flanelinhas

Vitor Hugo Brandalise, Renato Machado, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

A ação dos flanelinhas foi determinante para que o analista de suporte Diego Osnir Nogueira Bueno, de 25 anos, mudasse sua rotina e deixasse de ir a jogos de futebol. Morador do ABC paulista, ele ia praticamente todos os fins de semana ao Estádio do Morumbi, até que um dia encontrou seu carro com o vidro estourado e sem sistema de som e DVD.

"Pediram R$ 50 para cuidar do carro quando cheguei. Dei R$ 20 e os flanelinhas chegaram a brigar para ver quem ficaria com o dinheiro. Mas, na volta, não tinha ninguém e haviam levado meu som", conta ele, que calculou o prejuízo em R$ 1 mil. Bueno tem certeza de que foi o flanelinha, porque sua jaqueta também sumiu. "Escondi antes de sair e só ele viu onde guardei. Hoje, nem vou mais ao estádio."

Outras pessoas passaram a evitar estacionar na rua. É o caso do advogado Milton Cardoso de Souza, de 67 anos. "Desde que passei a parar só em estacionamentos privados, não tive mais problemas." Em abril de 2006, ele teve o porta-malas de seu carro completamente amassado a tijoladas - "com certeza", avalia, por ter se negado a dar R$ 10 de gorjeta a flanelinhas na Rua Doutor Veiga Filho, em Santa Cecília, região central da capital. "Mal vi quando os flanelinhas me abordaram. Estava apressado, ia visitar minha mulher no Hospital Samaritano. Saí do carro sem olhar para o lado. E paguei por não ter me submetido a um serviço desonesto."

Recorrente. O problema é recorrente em qualquer ponto onde há aglomeração de veículos. No Largo do Belém, na zona leste, bastou uma padaria atrair mais clientes pela qualidade do pão italiano para flanelinhas se mobilizarem para tirar "caixinha" da clientela. "Cansei de deixar dinheiro com eles, por medo de ter meu carro riscado. Chegam olhando torto e, se você não se submete, a ameaça é explícita. E isso a 30 metros de uma base da PM", reclama o representante comercial Flávio Juliano, de 63 anos. "Para dar flagrante ali é só querer."

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