Marcos Bezerra/Futura Press
Marcos Bezerra/Futura Press

Pagodeiro é condenado a 33 anos de prisão

Foragido desde 2008, ele se apresentou nesta 5ª ao júri e foi condenado pela morte da ex-mulher e por tentar matar o filho, em Guarulhos

Bruno Paes Manso,

12 de setembro de 2013 | 23h27

O pagodeiro Evandro Gomes Correia Filho foi condenado ontem a 33 anos e 20 dias de prisão por homicídio qualificado, pela morte da ex-mulher, a operadora de caixa Andréa Cristina Nóbrega Bezerra, e pela tentativa de matar o filho dos dois, em novembro de 2008. Após quase cinco anos foragido, ele compareceu nesta quinta-feira, 12, ao segundo e último dia do júri no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.

A juíza Maria Gabriela Riscali Tojeira determinou que Evandro seja mantido preso. As qualificadoras da pena são motivo torpe e não ter dado à vítima oportunidade de defesa. As quatro irmãs de Andréa ouviram a sentença de mãos dadas, acompanhadas de familiares da advogada Mércia Nakashima, que também foi assassinada pelo ex-namorado em 2010 - o ex-PM Mizael Bispo de Souza foi condenado em março a 20 anos de prisão pelo crime.

"Depois de cinco anos foragido, ele chegou com a mesma arrogância de sempre. Ele me ameaçou e disse que nós íamos ter de pagar por tudo que estávamos fazendo com ele", disse Josilene Nóbrega Bezerra, uma das irmãs de Andréa.

O advogado de Evandro, Ademar Gomes, disse que "a condenação da mídia foi decisiva" para o resultado do júri e que vai recorrer da decisão.

Segundo o promotor Rodrigo Merli, o pagodeiro deverá cumprir dois quintos da pena em regime fechado, o que significa que Evandro vai ficar 12 anos na cadeira e oito anos em semiaberto, caso a sentença seja confirmada em segunda instância. Só depois de 20 anos, ele deve conseguir progressão para regime aberto, o que para padrões brasileiros é uma pena considerável.

Para o promotor, o fato de ele ter aparecido na véspera das eleições em 2010, quando não podia ser preso, para dar entrevista vestido de Raul Seixas contribuiu para sua pena - Alexandre Nardoni, por exemplo, foi condenado a 31 anos pela morte da filha de 6 anos em 2008.

Júri. Em depoimento de duas horas na tarde desta quinta-feira, Evandro negou que tenha levado a mulher e o filho a pularem do apartamento. O músico permaneceu algemado e chorou por duas vezes. Numa delas, ao assistir ao vídeo do velório de sua mãe, quando ele estava foragido, e, na outra vez, quando o advogado de defesa disse que o filho era "xerox do pai".

Segundo a acusação, Evandro teve uma crise de ciúmes ao chegar ao apartamento onde eles moravam, em Guarulhos, cortou a mangueira do gás e ameaçou explodir o local. Ele ficou na porta de saída com uma faca, impedindo os dois de deixarem o local. Andréa, então, jogou o menino do terceiro andar na marquise do prédio, que tinha cerca de um metro de largura. O menino foi internado com uma fratura no maxilar. Ela tentou pular na laje, mas acabou caindo e morreu.

Firmeza. Lucas, hoje com 11 anos, depôs nesta quinta, confirmando essa versão. Segundo o promotor Rodrigo Merli, a "firmeza e a coerência" do garoto impressionaram os jurados. O testemunho da criança foi a principal prova para a condenação.

A acusação tentou argumentar aos jurados que, caso o pai fosse absolvido, ele deveria ganhar a guarda do filho, e que os integrantes do júri teriam de conviver com essa decisão.

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