'Pagando direito, não vejo a hora de sair', diz morador

Moradores da zona leste reclamam da falta de informações claras sobre desapropriações da Linha 15-Branca na região

O Estado de S.Paulo

09 Abril 2012 | 03h02

A desinformação é generalizada nos quarteirões em que haverá desapropriações para obras da Linha 15-Branca (Vila Prudente-Dutra). Os moradores das áreas, na maioria das vezes, apenas ouviram falar que um dia poderiam ter de deixar suas casas para dar passagem ao metrô. Enquanto uns pensam em brigar na Justiça para ficar, outros avaliam que mudar até é uma boa ideia, dependendo, claro, do valor pago.

Na casa do estudante Vinícius Fávaro, de 21 anos, no Jardim Anália Franco, chegou uma carta do Metrô. A correspondência, no entanto, só diz que o trem passará debaixo da residência, na Rua Santiago Rodrigues, e avisa que técnicos da companhia vão até lá para fazer uma vistoria. "Espero que não mude o que foi falado", diz ele.

O quarteirão que será desapropriado no bairro do rapaz destoa dos vizinhos, cheios de prédios de alto padrão. Em frente ao Shopping Anália Franco, a área ainda conserva casas simples, muitas delas construídas por posseiros há mais de 20 anos. Em processo dos anos 1990, vários moradores chegaram a ser retirados da área, mas ganharam na Justiça o direito de voltar.

Há duas décadas na mesma residência, na Rua Engenheiro Cestari, o açougueiro Enair Santos, de 60 anos, não vê problema em se mudar. "A desapropriação paga, não paga? Então, para mim, pagando direito, não vejo a hora de sair", afirma ele.

Tiquatira. Também na zona leste da cidade, na região de Tiquatira, a dona de casa Antônia de Oliveira da Silva, de 68 anos, já ouviu todo tipo de boato. A última vez que o burburinho aconteceu foi há dois anos, quando técnicos - que ela não sabe dizer de onde eram - numeraram as casas da sua rua. "Eu moro aqui há quase 30 anos e não queria sair. A única coisa ruim é que é debaixo do Viaduto (Domingos Franciulli Netto)", diz ela. Antônia diz que já gastou muito para transformar o barraco que adquiriu em 1985 na casa de alvenaria em que vive com o marido, filha e netos.

Vizinha de Antônia, a dona de casa Maria das Graças Alves, de 43 anos, está no local há menos tempo, mas não quer nem pensar em sair. Ela morava em uma favela perto dali e foi encaminhada para uma casa em um conjunto habitacional. "Repassei para o meu irmão, porque eu não tenho condições de pagar quase um salário mínimo em apartamento."

As desapropriações passarão raspando ao lava-rápido de Fabrizio Lacerda, de 30 anos. Como escapou da área prevista para virar a Estação Tiquatira, comemora a chegada do metrô. "É bom, né? Sempre valoriza a área. Mas vai demorar", afirma Lacerda./ ARTUR RODRIGUES

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