ANDRÉ LESSA/ESTADÃO
ANDRÉ LESSA/ESTADÃO

Pagamento digital por Zona Azul começa na segunda-feira em SP

Motorista poderá usar aplicativo para comprar créditos que permitem estacionar em vias autorizadas, substituindo cartão físico

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2016 | 09h12

SÃO PAULO - Motoristas da capital paulista vão poder usar aplicativo de celular para comprar Zona Azul, a partir de segunda-feira. Segundo a gestão Fernando Haddad (PT), a ideia é que o sistema digital reduza ocorrências de fraudes e, no futuro, substitua os cartões. A Prefeitura também quer que as empresas desenvolvam ferramentas para cobrar valor proporcional ao tempo de estacionamento e até reservar vaga antes de sair de casa.

Para adquirir créditos, é preciso baixar um dos três aplicativos autorizados e fazer cadastro com endereço de e-mail, CPF ou CNPJ (para empresas), placa do carro e cartão de crédito. Mais de um veículo pode ser cadastrado em uma conta e os créditos não expiram.

Os valores cobrados serão de R$ 5 por uma hora, o equivalente a um Cartão Azul Digital (CAD), ou R$ 45 por dez cartões, os mesmos que já são praticados, conforme informou ontem o jornal Folha de S.Paulo.

Para estacionar, o usuário deverá informar a placa do veículo, o número da vaga (disponível na sinalização vertical da via) e o tempo de permanência. O aplicativo emite um “alerta” por mensagem de texto quando o tempo estiver acabando, permitindo ao motorista renovar o crédito pelo celular.

Os créditos digitais também vão poder ser adquiridos em postos de venda, como banca de jornal, padaria e casa lotérica. Segundo a Prefeitura, a previsão é de que o serviço comece a funcionar em cerca de 20 dias. “Nossa intenção é acabar com o papel, mas não existe prazo, depende da migração. Precisa ver o comportamento dos usuários, porque não queremos prejudicar ninguém”, afirmou ontem o secretário Municipal de Transportes, Jilmar Tatto.

Outros objetivos são coibir a falsificação de cartões e a cobrança acima da tabela, praticada por flanelinhas. “A vantagem para o Município é que o recurso não vai ser desviado por grupos que fraudam o cartão da Zona Azul”, disse o prefeito Fernando Haddad. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estima que, em 2015, São Paulo deixou de arrecadar R$ 58 milhões por fraudes.

Segundo Tatto, o dinheiro que deixou de entrar nos cofres públicos vai possibilitar investimento em tecnologia. “A próxima etapa é o cartão temporal. Se você ficar 15 minutos, paga por 15 minutos; se for meia hora, paga por meia.”

No modelo atual, as empresas ficam com 10% da receita. Para Tatto, a concorrência entre elas renderá uma “corrida tecnológica” que vai permitir, no futuro, que os usuários possam reservar o estacionamento com antecedência ou saber quando uma vaga for desocupada. “O tempo que o motorista fica esperando é um transtorno muito grande. Ele para e atrapalha o outro que está atrás.” Com a Zona Azul digital, a Prefeitura também descartou a instalação de parquímetros na cidade. 

Fiscalização. Apenas agentes da CET estão habilitados para fiscalizar a Zona Azul digital e só eles têm acesso ao sistema que verifica, por consulta da placa, se o motorista pagou para estacionar. A Prefeitura afirma que não há risco de haver cobrança indevida: se uma autuação injusta for aplicada por policial militar ou guarda-civil. “Ela pode ser lavrada, mas não vai chegar para o condutor porque o sistema barra”, disse Haddad. “É igual ao sistema de rodízio.”

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Como comprar Zona Azul digital?

Inicialmente, apenas por aplicativo de smartphone. Na segunda etapa, haverá pontos de venda em estabelecimentos comerciais.

 

Há variação de preço comparado aos talões de papel?

Não, os créditos vão custar R$ 5 por uma hora e R$ 45 por talão com dez unidades.

 

É possível pagar apenas pelos minutos usados?

Não, as tarifas são "cheias". Segundo a Prefeitura, o cartão temporal é o próximo passo do programa, mas não há prazo para funcionar.

 

Se o usuário comprou mais crédito do que o necessário, corre o risco de expirar?

Segundo a Prefeitura, os créditos não têm prazo de validade.

 

Como vai funcionar a compra em estabelecimentos comerciais?

Não é necessário ter celular ou acesso à internet. O usuário informa a placa do veículo e não precisa voltar para a vaga. O sistema deve funcionar no final de julho.

 

Quais são os aplicativos credenciados?

O aplicativo “Vaga Inteligente”, da Estapar, está disponível para Android e iOS. Já o “Zona Azul Eletrônica SP”, da Serttel, e o “DigiPare”, da Areatec, só são compatíveis com Android, por enquanto.

 

O que é preciso para fazer o cadastro?

Os aplicativos exigem um login com e-mail e senha. É pedido CPF (pessoa física) ou CNPJ (empresa), placa dos veículos e cartão de crédito.

 

Como usar o crédito adquirido?

Para ativar o crédito, o usuário informa no aplicativo a placa do veículo, o número da vaga (disponível na sinalização vertical da via) e o tempo de permanência.

 

Quais as opções de pagamento?

Por enquanto, a única forma de pagamento é por cartão de crédito.

 

Posso cadastrar mais de um veículo?

Sim. Para isso é só incluir a placa e o tipo do veículo (carro ou moto, por exemplo).

 

Se precisar demorar mais tempo do que o previsto, posso renovar o período de permanência na vaga?

Sim. A renovação do crédito pode ser feita pelo celular, sem necessidade de o usuário voltar para o carro.

 

Sem o cartão no painel, como o agente de fiscalização vai saber que paguei?

O agente da CET vai utilizar um equipamento eletrônico para verificar o registro digital. Ao consultar a placa do veículo, ele é informado se o crédito está ativo ou não.

 

Os talões de papel vão continuar valendo?

Sim. A Prefeitura quer que os créditos digitais substituam o cartão físico, mas isso não tem prazo para acontecer.

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