Pagamento de viações exigirá cumprimento de horários e frota

Departamento Financeiro da São Paulo Transporte vai fracionar o pagamento para as concessionárias, levando em conta qualidade

Juliana Diógenes e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2015 | 21h37

SÃO PAULO - O Departamento Financeiro da São Paulo Transporte (SPTrans) vai fracionar o pagamento para as concessionárias, levando em consideração a qualidade do serviço e o que cada uma das empresas se comprometeu a fazer. Do total do pagamento, 50% vai ser composto pela quantidade de passageiros transportados, 40% pelo cumprimento das viagens programadas e outros 10% por disponibilidade de frota. 

Se uma das concessionárias cumprir, por exemplo, 30% das viagens programadas, ela terá um desconto de 10% sobre o que ela ganharia no total pelo que se comprometeu. 

Para Adauto Farias, diretor econômico-financeiro da SPTrans, isso só vai ser possível porque a empresa vai monitorar em tempo real os ônibus do Centro de Controle Operacional (CCO). “Hoje, a tarifa é por passageiro transportado. Essa nova forma vai modificar o serviço de transporte de passageiro. Uma das maiores reclamações no serviço de ônibus é justamente o atraso das viagens programadas”, explicou Farias. 

Também será usada como base do cálculo de remuneração a opinião dos passageiros do transporte público. Por meio de pesquisas qualitativas, que ainda não tiveram o formato definido, os passageiros poderão avaliar o serviço de ônibus.

"Isso é uma inovação muito importante e reivindicada há muitos anos por movimentos sociais. Quando o incentivo é só passageiro transportado, pode haver uma distorção em favor do empresário, em detrimento da qualidade”, afirmou, nesta sexta-feira, 3, o prefeito Fernando Haddad (PT). Segundo ele, a medida de fracionar o pagamento “corrige distorções” no pagamento para as empresas.

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de São Paulo (SPUrbanuss) disse aprovar que os repasses para o setor tenham como base a qualidade do serviço assinado em contrato. “Estimula a empresa a buscar a produtividade, a atender melhor o passageiro. Temos absoluta consciência de que o serviço não feito não precisa ser pago”, afirmou Francisco Christovam, presidente da entidade. 

No entanto, ele alerta para o fato de que a Prefeitura não deve exigir das empresas um serviço que está além da capacidade do que o viário da cidade pode oferecer. “O poder público não pode exigir que os veículos atinjam uma velocidade que não foi bem dimensionada”, disse. 

‘Dois dígitos’. Um relatório de uma auditoria feita nas contas das concessionárias pela consultoria Ernst&Young, a pedido da atual gestão, apontou que as empresas estavam com uma Taxa Interna de Retorno (TIR) da ordem de 15%. Isso é o quanto as empresas lucram a partir dos investimentos que elas fazem na frota e nas garagens. 

Haddad afirmou que no novo contrato de concessão do serviço esse valor não vai passar dos “dois dígitos”. Segundo ele, o máximo que as empresas terão de retorno ficará em 9,9%. No entanto, não há previsão de que essa mudança reduza o preço da tarifa.

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