NILTON FUKUDA/ESTADAO
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‘Paga logo isso aí. Vai que um policial atira, dá uma multa. É pior’

Amigo alertou jovem sobre dívida; universitário Julio Cesar Alvez Espinoza planejava montar negócio próprio e morar sozinho

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

29 Junho 2016 | 03h00

SÃO PAULO - O universitário Julio Cesar Alvez Espinoza, de 24 anos, morto nesta terça-feira, 28, durante uma perseguição, não falava de outra coisa: terminaria a faculdade neste ano e queria logo começar um negócio próprio ou arrumar um emprego na área em que se formaria, Logística. Nos últimos meses, vinha planejando uma pequena empresa de estampar canecas, segundo relato dos vizinhos. 

No fim do semestre, comemorou as notas em sua página pessoal no Facebook: tudo 9. “Que venha o próximo semestre da facul, porque esse já foi!!!”, escreveu. 

O primo e amigo Leandro de Matos, de 31 anos, conversou com o rapaz alguns dias antes. “Ele contou que entrou de férias e me mostrou as notas boas. A gente estava marcando de se encontrar para tomar uma cerveja no fim de semana”, disse. “Não dá para acreditar no que aconteceu. Era uma pessoa boa, trabalhadora. Só trabalhava e estudava.” 

Alerta. Matos disse que sabia de episódios anteriores em que o amigo tentou fugir da polícia e tentou alertá-lo - a exemplo do que fazia a família. “Dizia: paga logo isso aí. Vai que um policial atira, dá uma multa. É pior”, disse. “Não acredito no que aconteceu. Isso não é e nunca vai ser um motivo para se tirar a vida de uma pessoa inocente.”

A namorada de Espinoza, Aline Barbosa, de 18 anos, afirmou que ele tinha planos de deixar a casa dos pais em breve. “Estava se dedicando muito à faculdade. Ele queria morar sozinho, arrumar um emprego na área. Tinha até uma poupança”, comentou. 

Já o vizinho e amigo de infância Daniel Moreira, de 34 anos, lembrou da paixão do rapaz pelo futebol e pelo time do Palmeiras. “Ia sempre aos jogos ou assistia pela TV. Era um rapaz tranquilo. Saía com os amigos, jogava uma bola, ficava em casa”, disse ele. 

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