Padres instalam câmeras de segurança após onda de assaltos

O dízimo acumulado aos finais de semana em Igrejas da zona norte de São Paulo virou alvo de quadrilhas

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2014 | 20h09

SÃO PAULO - O medo causado por uma quadrilha que rouba o dinheiro do dízimo de igrejas da zona norte de São Paulo, fez padres instalarem sistemas de alarme e câmeras de segurança dentro de igrejas e sacristias da região, além de restringir o acesso de fiéis após as missas por orientação da PM. 

De acordo com um relatório elaborado pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo Dom Sergio de Deus Borges, autoridade da Igreja Católica responsável pelos bairros no entorno de Santana, foram pelo menos 15 casos nos últimos meses. As informações foram apresentadas na semana passada por ele e o vereador Nelo Rodolfo (PMBD) para o coronel da Polícia Militar Kenji Konishi, comandante do policiamento na região. Segundo o parlamentar, os assaltantes costumam agir às segundas-feiras, dias em que as igrejas concentram grandes quantias do dízimo acumulado do final de semana. 

"São sempre grupos formados por dois, três jovens, que entram nas igrejas armados para roubar as doações", explicou o vereador. A maior parte dos casos, no entanto, não foi registrada em boletins de ocorrência da Polícia Civil. Enquanto isso, o temor se espalhou pelas paróquias da zona norte.

"Há colegas que foram amarrados", afirmou um padre de 46 anos que preferiu não se identificar. Ele foi alvo de uma tentativa de roubo durante um missa no último dia 7. Ele instalou os equipamentos de segurança e também está restringindo o acesso à paróquia. "Os fiéis e a igreja são muito vulneráveis. É uma pena ter que impedir a entrada de pessoas aqui dentro", afirmou.

"Fiz tudo isso depois que um rapaz entrou na igreja e se escondeu em um banheiro para conseguir entrar na sacristia", lembra. De acordo com  o padre, o local que fica atrás do altar da igreja é usado para guardar objetos de valor, entre eles o dinheiro arrecadado através do dízimo e doações.

"Essa pessoa entrou, procurou algo para roubar e fugiu depois que foi vista. Temos relatos de que um rapaz semelhante a ele já tinha assaltado  igrejas da zona norte. Esses ladrões levam o que tiver.” 

Palestra. A Polícia Militar afirmou que o patrulhamento ostensivo foi intensificado  nas missas que reúnem a maior quantidade de fiéis. A PM também disse que vai se reunir com os padres para dar palestras sobre a onda de assaltos e também dar dicas de segurança. A data ainda não foi marcada. 

A Polícia Militar já recomendou que as igrejas encontrem "uma alternativa para que não haja dinheiro acumulado em grandes quantidades". A própria PM também orientou sobre a instalação de câmeras. "Verificou-se, também, que alguns crimes aconteceram após as missas, com criminosos se passando por fieis, que alegavam ter esquecido objetos na igreja para conseguir entrar e anunciar o roubo", afirmou a corporação, em nota. 

Além dessas medidas, o policiamento ostensivo também será reforçado. Nas principais missas, ou seja, aquelas que reúnem grande quantidade de pessoas, viaturas permanecerão estacionadas à porta das igrejas, dando segurança durante a entrada e a saída de fieis. As rondas também serão intensificadas.

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