Luis Cleber/Estadão
Luis Cleber/Estadão

Padrasto usou insulina de Joaquim

Principal suspeito, ele disse que recorreu ao medicamento para conter vontade de usar droga; Longo nega ter matado menino de 3 anos

Ricardo Brandt, Enviado especial, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2013 | 02h10

RIBEIRÃO PRETO - O técnico de informática Guilherme Rayme Longo, de 28 anos, padrasto do menino Joaquim Ponte Marques, de 3, negou em depoimento à Polícia Civil de Ribeirão Preto ter participado da morte da criança. Em depoimento de mais de 4 horas, nessa quarta-feira, 13, ele explicou como usou 30 doses da insulina - medicamento tomado pela criança, que era diabética.

Longo é o principal suspeito do assassinato de Joaquim, que desapareceu na madrugada do dia 5 da casa onde vivia com o padrasto e a mãe, a psicóloga Natália Ponte, de 29 anos, também presa. O corpo da criança foi encontrado em um rio, no domingo. A principal hipótese da polícia é assassinato por superdosagem de insulina.

"Ele negou participação no crime e as agressões. Nada muda nas investigações, continuamos com a tese central que coloca Guilherme saindo de casa e jogando a criança no rio", afirmou o delegado Paulo Henrique de Castro, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Em depoimento, o padrasto afirmou que usou a insulina do menino para conter a vontade de usar cocaína - o suspeito é viciado em drogas. "Em uma situação de desespero, em um dia em que ele trocou seu celular por quatro cápsulas de cocaína, passando o efeito, e se autoaplicou 30 doses", disse o advogado Antônio Carlos de Oliveira.

O celular de Longo teve o pedido de rastreamento aceito pela Justiça. A polícia tenta buscar para quem ele ligou e onde esteve no dia do crime. Para o promotor Marcus Túlio Nicolino, a afirmação de uso da insulina pelo padrasto pode ser uma forma de justificar o uso do medicamento.

O padrasto de Joaquim também negou à polícia que tinha ciúmes de Joaquim e que seu relacionamento com Natália era conturbado. "Não houve nenhum tipo de agressão. Era um casal que tinha suas briguinhas corriqueiras. Não existe ameaça", afirmou o advogado.

Depois de o corpo ser encontrado e de o casal ser preso, Natália passou a colaborar com a polícia e afirmou que o padrasto via a criança como um empecilho. Afirmou também que em janeiro ele tentou esganá-la após uma discussão.

Sobre o crime, ele mantém a versão contada pelo casal desde o desaparecimento de Joaquim. Os dois estavam na residência onde moram há quatro meses na noite do dia 4 e a mãe foi dormir. O padrasto teria colocado a criança na cama por volta de meia-noite e saiu para comprar cocaína. Ficou fora por 40 minutos, não encontrou a droga, e voltou para casa. Pela manhã, a mãe teria dado conta do sumiço da criança.

O advogado afirmou que vai pedir nesta quinta a liberdade de seu cliente, que está em prisão temporária. A polícia ainda investiga a mãe do garoto. "A participação dela não está descartada. Queremos saber o que aconteceu naquela noite", afirmou o delegado. A única certeza que a polícia tem é que o padrasto saiu de casa naquela madrugada caminhando com o garoto e jogou o corpo já sem vida em um córrego, no bairro onde eles moram.

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