Padrasto era chamado de ‘amorzinho’ por Joaquim, diz médica

Vizinhos relatam relação carinhosa entre os dois, mas polícia aponta Longo como o principal suspeito de matar o menino

Ricardo Brandt, Enviado especial / RIBEIRÃO PRETO,

16 Novembro 2013 | 17h35

O garoto Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, demonstrava ter boa relação e até predileção por Guilherme Rayme Longo, de 28, principal suspeito de matá-lo. A imagem que passava era a de um padrasto atencioso e carinhoso. Ele e a mãe do menino, a psicóloga Natália Ponte, de 29 anos, estão presos desde o dia 10, depois que o corpo da criança foi encontrado no Rio Pardo, em Barretos, cinco dias depois de desaparecer, em Ribeirão Preto.

O Estado ouviu pessoas que conviveram com a família e se disseram surpresas com os depoimentos da mãe de Joaquim de que o padrasto tinha "ciúmes" e via o menino como "empecilho" no relacionamento. As afirmações de Natália colocaram Longo como principal suspeito do crime.

Aos olhos dos outros, a relação entre Joaquim e o padrasto era de amor. Uma médica da família contou que Longo aparentava ser carinhoso. "Joaquim não parava quieto em uma consulta e eu pedi para que ele se sentasse um pouco. Ele respondeu que só se fosse no colo do amorzinho dele. Perguntei quem era o amorzinho e ele respondeu ‘o Gui’", contou a médica, que não quis ter seu nome divulgado.

Na vizinhança, Rodrigo Júnior, de 3 anos, era o principal parceiro de Joaquim. "Às vezes, estávamos brincando de bola e o Guilherme chegava, o menino falava ‘ó, o Gui chegou’, ficava empolgado, feliz", diz o policial Rodrigo Borges, de 37 anos, pai do colega.

Um outro vizinho relatou que nunca ouviu discussões ou sinais de briga na casa. No colégio onde Joaquim estudava desde agosto, o menino nunca mencionou ter uma relação familiar difícil nem se queixou da mãe ou do padrasto.

Perfil. Nesta semana, a Polícia Civil de Ribeirão Preto intensificará os trabalhos para montar um perfil psicológico do casal. "Ainda não temos como medir a verdadeira participação da Natália", afirma o delegado Paulo Henrique de Castro. O momento do reconhecimento do corpo do filho foi a primeira vez em que os policiais a viram chorar.

Nos três depoimentos formais que deu após ser presa, Natália disse que foi agredida por Longo durante a gravidez do filho que tiveram, de 4 meses. Intriga a polícia o fato de que Natália não pediu para ver ou amamentar o bebê. Ele está com os pais dela.

A polícia não tem dúvidas de que Joaquim foi assassinado. E, para o delegado, Longo continua como o principal suspeito do crime. A tese é que o menino, que era diabético, foi morto por uma superdosagem de insulina. 

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