Padilha vai ao Congresso; proposta já sofre resistências

Aécio Neves considera ação 'marqueteira' e 'paliativa'; senadores querem votar carreira de médico de Estado

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2013 | 02h02

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi ontem à Câmara dos Deputados para pedir celeridade na tramitação da medida provisória do programa Mais Médicos. "Vim conversar com os presidentes da Câmara (Henrique Eduardo Alves) e do Senado (Renan Calheiros) e com os líderes da base e da oposição para que se componha logo a comissão que vai avaliar a MP", afirmou Padilha. Mas a medida já é contestada, sobretudo no Senado.

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), considerou nesta terça-feira como "marqueteira" e "paliativa" a iniciativa do governo federal de contratar médicos estrangeiros para atuar em regiões do País consideradas carentes. O anúncio da contratação dos novos médicos foi feito ontem pela presidente Dilma Rousseff em evento realizado no Palácio do Planalto.

"Apresenta-se essa ideia como uma solução magnífica, mas para algo que só vai acontecer em 2023. E, daqui até lá, quais respostas o atual governo vai dar pela baixíssima aplicação dos recursos em saúde pública?", questionou Aécio, após encontro com integrantes da Executiva Nacional do partido em Brasília. "Fazer isso sem uma discussão, sem ouvir com calma e cautela a comunidade médica é uma violência que tem de ser aqui repudiada de forma clara", acrescentou.

Ainda no Senado, no mesmo dia do anúncio do programa Mais Médicos, cresceu a campanha pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 34/2011. Defendida por entidades médicas como opção aos "médicos importados", ela foi defendida em plenário pelos senadores Paulo Davim (PV-RN), relator, e Vital do Rêgo (PMDB-PB), autor da proposição - que cria a carreira de médico do Estado.

Pelo texto, os médicos de Estado deverão ser organizados em carreiras nos âmbitos federal, estadual, distrital e municipal. As entidades médicas alegam que isso permitiria melhor remuneração e o estabelecimento de um sistema semelhante ao dos juízes - para cobrir vagas no interior do País.

Apoio. Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) elogiou a proposta do governo federal de criação de um segundo ciclo de formação para os cursos de Medicina no País. "O pior pecado é deixar um povo sem médicos." A medida também recebeu apoio dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Jorge Viana (AC-SP) e Acir Gurgacz (PDT-RO).

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