Pacificação forja novo empresário

Bruno Silva aproveitou a onda de prosperidade para começar a organizar shows de pagode para a comunidade. Deu certo

Márcia Vieira, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

Bruno Braz da Silva sempre foi um "virador". Com 8 anos, já andava colado na saia da mãe, vendendo pastel nas areias de Copacabana. Tentou a sorte como lateral direito nas divisões de base do Flamengo e do Vasco.

Um problema no joelho o afastou dos gramados, mas a disposição para o trabalho fez dele um divertido animador de festas infantis. Agora, com a UPP no Borel, descobriu outra vocação. É o mais novo empresário do entretenimento da favela.

Toda sexta-feira, ele aluga a quadra da Associação de Moradores para fazer show de pagode. Coloca 500 pessoas por noite na festa. "Aqui no Borel não tem muito lazer. Eu tive a ideia de fazer um pagode para jovens se divertirem", diz.

Bruno aproveitou a onda de prosperidade que está chegando junto com a pacificação. E atendeu ao chamado do capitão Bruno Amaral, comandante da UPP, para discutir os problemas da comunidade. A abordagem policial é um dos temas mais urgentes. "Há resistência inicial dos jovens. Temos conversado bastante com eles sobre isso", admite o comandante.

A principal queixa é que meninos usando boné e mochila invariavelmente são revistados. "A polícia não pode abordar só pelo jeito que o cara se veste. A favela é o lugar dele", defende Diego dos Santos, 23 anos.

Diego não esperou a UPP chegar para pensar no futuro. Formado em Comunicação, estuda Ciência Política e é produtor de um dos projetos sociais mais criativos das favelas pacificadas, o Agência, idealizado por Marcus Vinícius Faustini. A chegada do Agência ao Batan tirou Joab da Silva Régis, de 25 anos, da mais absoluta inércia. "Estava sem fazer nada quando recebi proposta para o ser o produtor daqui." A sacudida funcionou. Joab anda lendo Foucault, quer voltar a estudar para terminar o ensino médio e, quem sabe, fazer faculdade de Psicologia.

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