Pacificação deve ser feita até domingo

Data foi citada ontem por governador do Rio; Rocinha e Vidigal são as últimas duas grandes favelas da zona sul sob comando do tráfico

PEDRO DANTAS , ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2011 | 03h03

Após a euforia com a prisão do chefe do tráfico da Rocinha e do Vidigal, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, a última etapa para a ocupação dessas comunidades é a rendição de jovens traficantes que permanecem nas favelas. O perfil violento dessas lideranças preocupa.

Mesmo assim, o governador Sérgio Cabral declarou ontem que o processo de pacificação da Rocinha e do Vidigal, as últimas duas grandes favelas da zona sul carioca ainda sob comando de traficantes, será concluído até o fim da semana. As duas deverão receber a 19.ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Estado.

Com a prisão de Nem, o comando do tráfico nessas comunidades está nas mãos de Leandro Botelho Nunes, o Scooby, e Jorge Araújo Vieira, o Bebezão. Os dois participaram do confronto que resultou na queda do helicóptero da PM no Morro dos Macacos, em outubro de 2009, e fugiram quando a Secretaria de Estado de Segurança instalou uma UPP na comunidade.

Em entrevista à rádio CBN, Cabral disse esperar que os traficantes não reajam. "Esperamos que eles se entreguem, para que a população da Rocinha e do Vidigal possa retomar mais rapidamente possível sua rotina", disse o governador, informando ainda que Nem e os demais traficantes presos deverão ser enviados a presídios federais fora do Rio.

A polícia tenta desvendar o teor do primeiro telefonema de Nem após a prisão. Ao falar com a mãe, ele avisou que foi preso e pediu que ela não esquecesse de "levar as crianças para a escola". Investigadores acham que isso pode ser um código para esconder alguma quantia de dinheiro ou a senha de algum recado a ser transmitido aos comparsas que permanecem na favela.

Em Berlim, onde participa de um congresso, o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, declarou que gostaria que Nem prestasse um depoimento, revelando detalhes sobre o esquema de corrupção que garantiu seu reinado por quase uma década na maior favela da zona sul do Rio. "Gostaria muito que o Nem falasse. Ele tem prestação de contas a dar sobre corrupção de agentes públicos. Isso seria um passo importante no combate ao tráfico de drogas. Ele conhece os meandros da corrupção." O secretário Beltrame informou ainda não ter data para encerrar operações na área. "Esperamos outros resultados."

A prisão. Às 23h de anteontem, um Toyota Corolla preto, com vidros escuros, chamou a atenção da PM. A suspensão estava baixa e indicava que havia algo pesado no porta-malas. O veículo foi seguido por viaturas do Batalhão de Choque até a Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, local da primeira abordagem.

Muito nervoso e cometendo erros de português, um homem se apresentou como cônsul honorário da República Democrática do Congo, mas não convenceu os policiais, mesmo depois de mostrar uma identificação. Outros dois advogados também estavam no veículo.

Trafegando a 30 km/h, o carro chegou à Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, e veículo parou pela segunda vez. Lá, houve uma tentativa de suborno. O suposto cônsul ofereceu R$ 20 mil e recebeu voz de prisão dos PMs. Um advogado ainda subiu a oferta para R$ 1 milhão e também foi preso. Os PMs chamaram a Polícia Federal. "Agentes da PF chegaram rápido. A mala foi aberta e Nem saiu com os braços abertos, sem oferecer resistência", contou o tenente Ronald Cadar, que participou da prisão. /COLABOROU MARCIA VIEIRA

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