Pacientes fogem de clínica de reabilitação no interior de SP

À policia, eles acusaram local de tortura e maus-tratos; pastor nega e fala em 'abstinência'

Rene Moreira, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2018 | 01h24

Vinte e três dependentes fugiram de uma clínica de recuperação no interior de São Paulo. Eles alegam que eram vítimas de agressões e sofriam maus-tratos no local, mantido por uma igreja evangélica.  A clínica, chamada Casa de Recuperação Missão Nazareno, fica na rodovia Felipe Calixto, que liga Ribeirão Corrente (SP) a Cristais Paulista (SP).

À polícia de Franca, os internos contaram ter caminhado mais de 12 quilômetros durante a fuga, boa parte do trajeto entre matas das chácaras e sítios da região. Eles falaram sobre o motivo da fuga.

Um deles, um rapaz de 21 anos, contou que na clínica havia o chamado "quartinho da fé", onde apanhavam de três a quatro pessoas. "É o quartinho onde eles levavam a gente para poder bater", falou. "Todo mundo via, mas não podia fazer nada", afirma. 

Outro jovem disse que eram obrigados a comer restos. "Tomei muito soco e já fui enforcado", declarou. Na delegacia familiares contaram que pagavam mensalidade para ajudar a manter a instituição.

Defesa

O responsável pela clínica, pastor Carlos Roberto da Cunha, negou  as acusações e também registrou ocorrência denunciando a fuga. Na tarde desta terça-feira, 30, ele foi chamado ao Ministério Público para se explicar. 

Em entrevista ao Estado, ele culpou a abstinência das drogas e negou agressões. "O quem tem lá é a igreja, a igreja da fé. O papel aceita qualquer coisa", se defendeu. "Eu faço esse trabalho há 20 anos e nunca aconteceu isso", garante. 

"Esses meninos tiveram uma abstinência forte e, no domingo, dia de eleição, suspendi a visita dos familiares", justificou. A clínica tinha cerca de 50 internos e segue funcionando com os que restaram. Os jovens que fugiram foram para as casas de parentes ou encaminhados pela assistência social a outros estabelecimentos.

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