Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Paciente pode ter baleado médico em São Paulo por vingança

Polícia investiga hipótese de que ex-médico Daniel Edmans Forti estaria descontente com os resultados de uma cirurgia na uretra

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2014 | 18h36

Atualizada às 21h18

SÃO PAULO - A Polícia Civil investiga a hipótese de que o ex-médico Daniel Edmans Forti, de 52 anos, tenha atirado contra o urologista Anuar Ibrahim Mitre, de 65, médico do Hospital Sírio-Libanês, por vingança. O paciente estaria descontente com os resultados de uma cirurgia na uretra feita pelo especialista. Após disparar contra Mitre dentro do consultório do especialista que fica na frente do hospital, na tarde desta segunda-feira, 15, Forti se matou. Ele era paciente havia cinco anos.

O relato foi feito informalmente a policiais por um amigo de Forti que ligou do Rio de Janeiro. Segundo investigadores do 4.º DP (Consolação) ouvidos pelo Estado, o amigo afirmou que Forti dizia que não estava satisfeito com a operação.

Já o irmão do ex-médico, que prestou depoimento na tarde desta terça-feira, 16, afirmou que Forti reclamava de muitas dores após a cirurgia e estava deprimido após sofrer o acidente de moto no Rio que causou o problema na uretra. Apesar das dores, ele nunca havia reclamado de Mitre para o familiar.


O irmão contou ainda que Forti era reservado e ficou ainda mais introspectivo após o acidente, que o deixou com problemas de locomoção - o paciente ficou sete meses sem poder andar e ainda usava muletas eventualmente. 

Solteiro e sem filhos, Forti morava no Rio, mas mudou-se para São Paulo após o acidente, há cerca de dois anos, e passou a morar com a mãe na capital paulista. Ela será chamada a depor. “Não tínhamos tanto contato, mas ele nunca teve comportamento suicida depressivo. Era ativo, trabalhava, mas ficou abalado porque se sentia inválido após o acidente”, disse o irmão, que não quis ser identificado. 

Ele contou também que o registro profissional de Forti no Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) foi cancelado a pedido do próprio médico, que deixou de pagar o órgão por não poder exercer a profissão depois do acidente. A assessoria de imprensa do Cremerj confirmou que o cancelamento foi feito a pedido do médico. 

Estado de saúde. O médico Anuar Ibrahin Mitre continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado estável nos aspectos clínico e neurológico, segundo boletim médico divulgado pelo Hospital sírio-libanês.

Segundo o hospital, Mitre teve traumatismo crânio encefálico e fratura no braço direito. O Sírio-Libanês informou ainda que Mitre foi submetido a cirurgias neurológicas e ortopédicas, “com bons resultados imediatos”. Ele continua sedado, sem previsão de alta. O urologista está sob os cuidados de equipes coordenadas pelos médicos Alfredo Salim Helito, Marcos Stávale, Rogério Tuma, Olavo Padilha e Roberto Abucham.

Mitre é um dos pioneiros na técnica de laparoscopia, que passou a ganhar destaque no Brasil no fim da década de 1990. Esteve à frente da primeira cirurgia urológica por robótica no Brasil, com o urologista Miguel Srougi. A operação ocorreu em março de 2008, no Sírio-Libanês. Na ocasião, dois pacientes foram submetidos a procedimentos de prostatectomia. / COLABOROU PAULA FELIX



Mais conteúdo sobre:
São PauloSírio-Libanês

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.