Pacaembu virou exemplo após piscinão

Reservatório na Praça Charles Miller fez avenida da zona oeste sair da lista das vias que, duas décadas depois, continuam inundando

O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h04

O único bom exemplo encontrado pela reportagem dos 12 pontos avaliados de enchentes em 1993 e 2003 é a Avenida Pacaembu, na zona oeste da capital. A via não alagou nenhuma vez neste ano, ao contrário das demais. Em grande parte, a solução pode ser creditada à construção do piscinão sob a Praça Charles Miller, em 1994. Contudo, nem sempre os reservatórios são suficientes para conter alagamentos.

É o caso do Ribeirão dos Couros, nas imediações da Via Anchieta, na zona sul da capital, perto da divisa com São Bernardo do Campo, no ABC. Embora o governo do Estado tenha construído cinco piscinões no percurso do rio desde o fim da década de 1990, a rodovia alagou em algumas ocasiões, inclusive em 2003 e neste ano. O Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) afirmou que, apesar de a região ser uma das que mais têm piscinões, ainda é "das que mais sofrem com as chuvas".

A Região Metropolitana tem hoje 53 piscinões, parte administrada pelas prefeituras parte pelo Daee, do governo do Estado. A Prefeitura informou que pretende fazer mais piscinões. Um deve ficar na Praça das Bandeiras, no centro, o que ajudaria a desafogar o Túnel do Anhangabaú e a Avenida 23 de Maio. A Prefeitura quer ainda obras para ampliar galerias dos Córregos Água Preta e Sumaré, beneficiando a Rua Turiaçu, a Avenida Pompeia e o Viaduto Antártica.

Para o especialista em hidráulica e saneamento Julio Cerqueira Cesar Neto, engenheiro e professor aposentado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), os governos precisam investir menos em piscinões e mais em ampliação de córregos e galerias para resolver as enchentes. Ele lembra que há cerca de duas décadas as administrações públicas vêm dando muita ênfase à construção de reservatórios, quando, na verdade, deveriam se ocupar em aumentar a vazão das enxurradas. "Há 20 anos, o governo do Estado e a Prefeitura aceitaram a tese de que a solução de alagamentos na cidade passa pela construção dos piscinões, o que, a meu ver, é fora de propósito numa área urbana tão densa."

Urbanização. Até aquela época, afirma, os engenheiros resolviam a questão principalmente com a ampliação do sistema de drenagem, ou seja, com o alargamento de galerias. "Mas isso foi quase abandonado e, agora, a urbanização vai aumentando e a rede de drenagem não tem mais tanta capacidade." / CAIO DO VALLE

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