PAC 2 na Rocinha não anda e União emite 'sinal de alerta'

Promessa do governo do Estado sobre projetos na comunidade com verba federal ainda vai demorar para sair do papel

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2011 | 03h02

Nos primeiros dias da ocupação da favela da Rocinha, na zona sul do Rio, pelas forças de segurança, o governo do Estado apressou-se em anunciar a segunda etapa de obras na comunidade, ao custo de R$ 700 milhões, em que a grande atração seria um teleférico para transportar até 30 mil pessoas por dia. Mas o caminho para chegar a novos recursos federais ainda é longo.

No dia 30 deste mês será escolhida a empresa que, em seis meses, fará o projeto executivo das obras. Só depois do trabalho concluído Estado e União firmarão o contrato da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) da Rocinha. A elaboração do projeto executivo custará R$ 12 milhões, pagos pelo governo do Estado.

Além de não avançar no PAC 2, as obras do PAC 1 na Rocinha receberam ontem sinal amarelo (de atenção) do Ministério do Planejamento. O governo federal citou a "demora" na aprovação do projeto de obras complementares, que resultarão em gasto extra de R$ 51 milhões, além dos R$ 278 milhões já investidos, divididos entre Estado (40%) e União (60%).

A Empresa de Obras Públicas (Emop), ligada à Secretaria de Estado de Obras, promete para o fim do mês a conclusão do projeto das obras adicionais, principalmente de alargamento da localidade conhecida como Rua 4.

Coordenador de Infraestrutura do Estado, o vice-governador Luiz Fernando Pezão disse que foram necessárias intervenções não previstas no projeto inicial, como contenção de encostas. Ele lembra, no entanto, que o PAC 1 já mudou em grande parte a paisagem e a vida na favela, com complexo esportivo de 15 mil m², unidade de saúde 24 horas, passarela, urbanização e construção de moradias.

Sobre os recursos para o PAC 2, Pezão reconhece que a estimativa dos R$ 700 milhões é preliminar e que o contrato com a União ainda será firmado, mas tem o "entusiasmo" da presidente Dilma Rousseff. "Ela gostou muito do que viu no PAC 1 e pediu um projeto executivo para a segunda etapa. Agora é que vamos detalhar."

Diante das críticas de um grupo de arquitetos à construção do teleférico, Pezão defende a obra, mas ressalva que ainda dependerá do projeto detalhado. "O teleférico está em estudo. Só vamos saber se tem viabilidade com o projeto executivo."

Em resposta ao Estado, o Ministério do Planejamento informou ontem que, "segundo informações da área técnica, a Rocinha não faz parte dos projetos do PAC 2 que já foram selecionados". Acrescentou que o Rio "poderá apresentar projetos para as outras seleções que ocorrerão no PAC 2".

No quesito Urbanização de Assentamentos Precários, além do sinal amarelo para a Rocinha, o Planejamento deu sinal verde ("adequado") para as obras do Complexo do Alemão, que somam R$ 940 milhões.

Maconha. Cem quilos de maconha foram encontrados ontem por agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) escondidos em um bueiro na Rocinha. Além da droga, havia cinco pistolas e duas granadas. O local foi identificado a partir de ligação ao Disque-Denúncia. O Bope também localizou central clandestina de TV a cabo. / COLABOROU FÁBIO GRELLET

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