Ouvir a sociedade e controlar ex-presidiários, as metas da PM

Novo comandante-geral da Polícia Militar toma posse e promete mais eficiência, sem aumentar os gastos

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2009 | 16h59

Controlar gastos, ouvir mais a sociedade para conhecer o crime que não está nas estatísticas e verificar o que estão fazendo os ex-presidiários são algumas das prioridades do novo comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo. Ele tomou posse ontem, em substituição ao coronel Roberto Antônio Diniz, que passou para a reserva.

 

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A posse de Camilo contou com a presença do governador José Serra (PSDB) e de oito secretários. Em seu discurso, Serra homenageou todos os PMs que caíram no cumprimento do dever e citou o coronel José Hermínio Rodrigues, comandante da zona norte da capital, assassinado em janeiro de 2008 por um de seus subordinados porque enfrentava a ação de grupo de extermínio. "Essa é uma das solenidades mais importantes do meu governo", disse Serra.

Camilo terá de administrar os mais de 90 mil homens da PM no momento em que, segundo o governador, o Estado arrecadou no primeiro trimestre R$ 733 milhões a menos do que o previsto. "A PM já usa de forma criteriosa os seus recursos. Nosso custeio é um dos mais bem executados do Estado", disse o comandante.

Ele afirmou que terá de fazer render ao máximo os recursos que têm à disposição, sem aumentar efetivo ou gastos. O governador garantiu que os investimentos em segurança não serão cortados. Para lidar com essa situação, foi elaborado um plano para se aproximar de entidades da sociedade civil em busca de informações. Hoje, cerca de 60% dos roubos ocorridos no Estado não são comunicados. Para distribuir melhor efetivos de acordo com a maior incidência criminal, Camilo pretende buscar nos conselhos de segurança e associações de bairro informações sobre crimes.

O novo comandante-geral também aposta em operações conjuntas com a Polícia Civil. "Faremos ações 100% conjuntas. Não só com a Polícia Civil, mas integradas com a Polícia Federal e com a Receita, porque assim o problema é resolvido por completo." Camilo e o novo delegado-geral, Domingos Paulo Neto, já estão planejando essas ações.

O novo comandante quer aumentar o combate ao crime organizado. E uma das medidas por ele planejadas inclui o acompanhamento das ações de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que deixam a cadeia após cumprimento das penas. Trata-se de um trabalho que contará com o apoio da segunda seção de Estado Maior da PM, o serviço de informação. A decisão de monitorar ex-presidiários se deve ao alto índice de reincidência dos integrantes de facções criminosas.

Enquanto anunciava seus planos, os colegas de turma de aspirante a oficial de Camilo se reuniram no pátio da Academia do Barro Branco e fizeram uma ruidosa celebração. A turma de 1981 se tornou, com a nomeação de Camilo, o centro do poder na PM. Além dele, é da mesma turma o secretário-chefe da Casa Militar, o coronel Luiz Massao Kita. Camilo, no entanto, fez questão de lembrar que comandará coronéis de outras turmas. "É o caso do novo subchefe do Estado Maior, coronel Marco Antônio."

Ele também estabeleceu como prioridade algo que já havia sido definido pelo novo secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto: aumentar o processo de depuração interna da corporação e a transparência nas investigações sobre desvio de conduta. Camilo nomeou o coronel Davi Nelson Rosolen para comandar a Corregedoria da Polícia Militar.

O novo comandante defendeu a expansão do policiamento comunitário para o interior e a instalação de mais de 130 câmeras de vídeo na cidade de São Paulo - a PM já tem 100. Por fim, Camilo anunciou que criará um sistema de policiamento específico para as áreas rurais a fim de combater roubos em fazendas e sítios. Será a patrulha rural.

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