Ouvidoria das polícias recebe 27 denúncias de assassinato durante a Copa

Levantamento foi feito a partir de queixas registradas no órgão durante 23 dias de competição; Secretaria de Estado de Segurança Pública lamentou estudo

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

08 Julho 2014 | 15h04

Atualizado às 16h38

SÃO PAULO - Nos 23 dias em que houve Copa do Mundo no Brasil, a Ouvidoria das Policias do Estado de São Paulo registrou 27 queixas de assassinato e outras cinco reclamações de prisões que o órgão considera "arbitrárias ou ilegais". O levantamento entre o dia 12 de junho (abertura da competição) e esta terça-feira, 8, foi feito pelo ouvidor Júlio César Fernandes Neves com base nas reclamações e denúncias que chegam ao órgão. A análise também também foi realizada nos dados do mesmo período do ano passado. De acordo com Neves, entre 12 de junho e 8 de julho de 2013, a ouvidoria registrou 22 denúncias de assassinato. Na época, foram três queixas de prisões arbitrárias. 

Segundo o ouvidor, a quantidade de mortes aponta que existe a necessidade de mudança nas estruturas das polícias Militar e Civil. "Esses casos sempre são preocupantes, principalmente porque nós e quem denuncia sabemos que foram policiais militares que mataram", afirmou Neves. Uma das denúncias, de acordo com o órgão, é contra o policial militar Marcelo Aparecido Domingos Coelho, de 43 anos, que assassinou a atriz Luana Barbosa, de 25 anos, no último dia 27, durante uma blitz Presidente Prudente, no interior do Estado. Segundo o ouvidor, o PM responde ao crime em liberdade. 

Endurecimento. As cinco reclamações de prisões arbitrárias surgiram após as manifestações contra a Copa do Mundo, a a partir da abertura da competição. "A postura da polícia mudou nas manifestações. A atuação é mais arbitrária. Prender advogado dentro do exercício da função aconteceu só durante a Ditadura Militar", disse Neves. Quatro advogados foram detidos em atos contra a competição em São Paulo. Um deles, um observador legal do coletivo Advogados Ativistas, foi preso na Avenida Paulista, no último dia 23, acusado de porte de drogas. Ele assinou um termo circunstanciado (crime de menor potencial ofensivo) e foi liberado. 

No mesmo protesto do dia 23, o professor Rafael Marques Lusvarghi, de 29 anos, e o técnico laboratorial Fábio Hideki Harano, de 26 anos, foram detidos por policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Eles foram acusados pelo secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, de serem integrantes de grupos de black blocs. No dia 1º de julho, na Praça Roosevelt, durante um ato contra as prisões de Lusvarghi e Harano, outros três advogados foram detidos.

Resposta. A Secretaria de Estado de Segurança Pública afirmou que, "como é de conhecimento da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo", todos os casos são "objeto de investigação por meio de inquérito policial". A pasta também disse que as mortes com a participação da policiais são apuradas pelas corregedorias das duas polícias. A pasta lamentou o levantamento feito pelo órgão e disse que criar "efemérides ou factóides" usando um intervalo específico de tempo "é estratégia demagógica de marketing". A secretaria também afirmou que os advogados detidos na Praça Roosevelt foram detidos "somente após desacatarem policiais".

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