Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Outro bueiro explode. E a Light não será multada

Acordo que aplica penalidade de R$ 100 mil a cada evento do tipo não está valendo; um homem que passava pelo local, em Botafogo, ficou ferido

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2011 | 00h00

Mais um bueiro explodiu ontem no Rio. Desta vez, a tampa da caixa subterrânea atingiu o servente Rodrigo dos Santos, de 26 anos, que sofreu uma fratura na mão esquerda e seria submetido a uma cirurgia. Apesar das recorrentes explosões, ainda não será dessa vez que a Light pagará multa de R$ 100 mil - o acordo assinado com o Ministério Público só começa a valer após a publicação no Diário Oficial.

A explosão de ontem aconteceu na Rua Camuirano, em Botafogo, na zona sul. De acordo com a Promotoria, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado na semana passada entre as duas partes ainda não está em vigor. Assinado pelo MP e pela Light (concessionária de energia do Rio), o acordo prevê o pagamento de multa de R$ 100 mil por explosão que cause morte, lesão corporal ou dano ao patrimônio. O juiz Mauro Pereira Martins, da 4.ª Vara Empresarial da Capital, homologou ontem o TAC, mas ainda não houve a publicação oficial.

Moradores relataram ter sentido cheiro de gás no local do acidente, na frente do número 153. Santos iria trabalhar em uma obra no telhado do prédio. Com a explosão, duas tampas de caixas subterrâneas foram deslocadas - uma da Light e outra de uma empresa de telefonia. Janelas de vidro e a vitrine de uma sapataria foram destruídas. Uma moto que estava estacionada perto da caixa também acabou danificada. A área foi isolada para permitir o trabalho de peritos da Polícia Civil.

De acordo com o coordenador da Comissão de Análise e Prevenção do Conselho Regional de Engenharia (Crea-RJ), Luiz Cosenza, um curto circuito interno pode ter provocado a explosão. Pela proporção do estrago, o engenheiro disse acreditar que havia presença de gás na tubulação. O fornecimento de energia elétrica para o prédio foi interrompido e a empresa informou que providenciaria um gerador.

À noite, a Light informou que detectou a presença de gás "em níveis explosivos" em instalações subterrâneas nas proximidades do local. Já a CEG (concessionária de gás) informou que não foi detectada presença de gás nas duas caixas que explodiram. A Light decidiu manter o local isolado, "para proteção da população". A empresa afirmou que vai prestar assistência ao servente de obras que teve ferimentos na mão.

O engenheiro do Crea informou que deve se reunir hoje com a prefeitura para entregar o termo de referência para a contratação de uma empresa para fiscalizar os bueiros. A administração informou que aguarda o relatório do Crea para dar início à licitação, anunciada no início do mês.

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