...Ou se já entrou na turma dos casados

Além do Zoo e do Jardim Botânico, o Cursino tem, proporcionalmente, o maior número de casados de SP

, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2011 | 00h00

Cinco casais à frente, um exemplo para todo o bairro. Naquela manhã de domingo, duas semanas atrás, as 180 pessoas que lotavam a Igreja Santa Ângela e São Serapião, no Cursino, zona sul, entenderam o recado. Quando o padre Anísio Hilário, o mais antigo pároco da região, convocou os cinco casais para subirem no altar, o que procurava era incentivar jovens do bairro a seguirem "uma vocação natural do lugar".

Além de ponto obrigatório de admiradores da fauna e flora - os Jardins Botânico e Zoológico estão localizados ali -, o Cursino é também o distrito onde, proporcionalmente, há mais casados na capital.

E qual o motivo? "Se as pessoas se casam na Igreja Católica, é porque se sentem convocadas a participar. Acho que um dos diferenciais é a atividade paroquial que temos aqui. Somos uma igreja muito presente na comunidade", diz, orgulhoso, padre Anísio, de 53 anos, há nove à frente da paróquia Santa Ângela, a mais antiga do Cursino. "E também colabora essa "configuração de interior" de parte do bairro."

O religioso se refere ao largo da igreja, com uma enorme praça na frente e, ao lado, um salão paroquial para as festas - casamentos marcados ao longo de todo o mês de fevereiro. "Isso traz um clima acolhedor e, como é área de convívio, aproxima a população da igreja. Assim, as pessoas valorizam a família. E, consequentemente, valorizam o casamento."

Segundo o levantamento do Estado e da Escopo Geomarketing, no Cursino o número de casados é seis vezes maior do que o de solteiros: há 37.595 pessoas casadas (36% dos moradores do bairro) e 5.663 solteiros (5,4%).

Um desses casais - também chamado à frente na missa do padre Anísio - é formado pelo professor Ewerton, de 27 anos, e a advogada Vanessa Menezes Fernandes, de 25. Os dois são nascidos, criados e casados no Cursino.

"Muita gente procura igrejas mais badaladas, fora daqui. Mas, no nosso caso, quisemos que as pessoas que nos viram crescer no bairro se sentissem acolhidas em um local que conhecem bem", explica Ewerton. "A festa fica mais bonita quando existe algum vínculo, quando as pessoas sentem que pertencem ao local."

Emoção. Outra vantagem de casar "no bairro", ele conta, é que, por conhecer os noivos, o padre sente liberdade para tornar o casamento "especial". "Como ele acompanhou nosso namoro desde o início, fez piadas e até ficou nervoso", conta o professor. "Na verdade, ele ficou tão emocionado que até esqueceu da hora do beijo. Tive de lembrá-lo do "e você pode beijar a noiva"."

Tímido, padre Anísio Hilário desconversa com um "acontece..." e já planeja a lição que quer deixar "às novas gerações".

"Já que é característica do nosso bairro, o altar ficará ainda mais lotado de noivos nas próximas missas", promete.

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