Ossário e estátuas são depredados no Araçá

Após homenagem a desaparecidos políticos, cemitério foi invadido nesse domingo, 3, de madrugada e teve monólitos destruídos, pichação e ossos espalhados

Marcelo Osakabe e Mateus Andrighetto Tamiozzo, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2013 | 02h03

O Ossário Geral do Cemitério do Araçá, na zona oeste de São Paulo, foi depredado na madrugada desse domingo, 3, menos de 24 horas depois do ato inter-religioso do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça. O espaço abriga as mais de mil ossadas de mortos e desaparecidos políticos, encontrados em 1990 no cemitério de Perus. Também foi danificada a instalação da exposição Penetrável Genet, inaugurada nesse domingo, 3, no local. O caso foi registrado no 91.º DP.

Durante a madrugada, foram destruídos dois monólitos de aproximadamente 700 quilos, e espalhados pelo local três sacos de ossadas - nenhum deles com restos mortais encontrados em Perus. Estátuas de outros túmulos não relacionados ao ossário ou à exposição também foram depredadas, como uma imagem de Santo Antônio. O espaço também foi pichado.

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) anunciou que vai acompanhar o caso. "É um fato que reflete a situação extremamente delicada de como tratar essa questão das ossadas e dos desaparecidos", lamentou o secretário Rogério Sottili.

A SMDHC analisa a necessidade de envolver a Polícia Federal no caso. Sottili está em contato com o presidente da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Presidência da República, Marco Antônio Barbosa, para criar um grupo de antropologia forense que identifique essas ossadas.

O deputado estadual Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão da Estadual da Verdade, esteve no ato ecumênico do sábado e na inauguração da exposição, ontem. Para ele, a depredação tem vínculo com as ossadas. "Todos sabem que ali estão os ossos de Perus, embora não tenham aberto a gaveta correta. Também deixaram ali uma assinatura, uma pichação. Esse ato tem autoria reivindicada."

Obra. A exposição Penetrável Genet, produzida pelos artistas Celso Sim e Anna Ferrari, teve de ser inaugurada simbolicamente no cemitério. "Isso me parece crime político, é uma barbaridade", afirmou Sim, ao lembrar que os computadores que estavam no local não foram levados. A obra estará aberta para visitação a partir de amanhã.

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