Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE
Reprodução
Reprodução

Oscar Niemeyer lança livro sobre 16 projetos de igrejas

Ateu convicto, arquiteto já projetou de igrejas a mesquitas. Algumas viraram referência, como a Catedral de Brasília

Márcia Vieira / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

Não adiantaram as missas realizadas todos os domingos no casarão dos avós maternos, os Ribeiros de Almeida, em Laranjeiras, zona sul do Rio. Qualquer chance de Oscar Niemeyer acreditar em Deus desapareceu logo aos 20 e poucos anos quando o comunismo entrou em sua vida. Ainda assim, Niemeyer, ateu convicto nas últimas oito décadas, projetou igrejas, mesquitas e catedrais. Alguns projetos viraram referência arquitetônica e ponto turístico, como a Catedral de Brasília.

Aos 103 anos, Niemeyer publica um livro reunindo essas obras. As Igrejas de Oscar Niemeyer, com desenhos e fotos de 16 projetos do arquiteto, tenta explicar também uma contradição. Por que um ateu inabalável e comunista fervoroso gosta tanto de projetar igrejas?

"Ao desenhar uma igreja, o arquiteto sente, surpreso, como esta é generosa, como tema arquitetural", explica Niemeyer no texto de apresentação do livro. Mas reconhece que a fé dos fiéis é muito mais forte. "O prazer que sinto em ver uma obra bem realizada é muito menor do que a importância que lhe dão aqueles que vão frequentá-la, pois ali acreditam estar perto de Deus."

A Catedral de Brasília, com seus 16 pilares de concreto entremeados de vitrais, é uma de suas obras mais elogiadas. A mais polêmica foi a Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte. Inaugurada em 1943, suas formas curvas eram ousadas demais para a época. Por 14 anos, não houve culto na igreja. Mas isso é passado. A pedido da arquidiocese da capital mineira, Niemeyer projetou uma nova catedral, que ainda será construída.

Niemeyer cresceu em uma família extremamente católica. "A lembrança dos amigos, em sua maioria católica, que nos visitavam deixou-me a ideia de que se tratava de gente bem intencionada, que manifestava uma atitude generosa diante da pobreza."

Por isso, talvez, tenha aceitado projetar tantas igrejas, sem perder a fé no comunismo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.