Oscar Maroni, dono do Bahamas, é preso em flat na zona sul

Empresário é acusado por formação de quadrilha, tráfico de mulheres e favorecimento à prostituição

14 de agosto de 2007 | 00h54

O empresário Oscar Maroni Filho, dono do Bahamas e do Oscar's Hotel, foi preso à 0h20 desta terça-feira, 14, por policiais civis em um flat localizado na região de Moema, na zona sul da capital paulista. Maroni foi encaminhado para o 96º Distrito Policial, onde fica a 2ª Delegacia Seccional Sul da capital.   Com prisão preventiva decretada pela justiça, o empresário vinha sendo procurado desde a noite do último dia 6, após decisão tomada pelo juiz Edson Aparecido Brandão, da 5ª Vara Criminal de São Paulo, que aceitou a denúncia feita pelo promotor do Ministério Público Estadual (MPE) José Carlos Blat.   Maroni é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de formação de quadrilha, tráfico de mulheres, exploração de prostíbulo e favorecimento à prostituição. A investigação começou em 2004, quando foram apreendidos na boate documentos contendo nomes e telefones pessoais de funcionários da Prefeitura de São Paulo (são citados Contru, Secretaria da Habitação e Administração Regional), policiais e de militares da Aeronáutica.   "Eles podem evidenciar a facilitação para obtenção de benefícios visando o funcionamento sem qualquer interferência das autoridades públicas do prostíbulo, além da eventual facilitação na obtenção de documentos para a edificação e futuro funcionamento de hotel", diz a denúncia.   Após o acidente com o Airbus A320 da TAM, o prédio do Oscar’s Hotel, construído a 600 metros da cabeceira da pista do Aeroporto de Congonhas, foi lacrado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Construído como se fosse um prédio comercial, o local, na verdade, era um flat residencial. Depois do prédio, sua boate também foi fechada pela Prefeitura.   No último dia 7, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo liberou a obra do hotel. "Fica vedado à Prefeitura interditar, e muito menos colocar bloquetes de concreto, para impedir a entrada de utilização do hotel", afirma a decisão. De acordo com a Justiça, o hotel não poderia ter sido interditado já que é beneficiado pela Lei Municipal de Anistia 13.558/2003. De acordo com a lei, mesmo que imóveis tenham irregularidades, as obras podem continuar se alguns requisitos forem cumpridos.   Personagem conhecido da noite paulistana, Maroni gosta de afirmar que mantém relações com políticos e outras pessoas poderosas e repete em suas entrevistas que já fez sexo com mais de 1.500 mulheres. Segundo o promotor, "a casa de prostituição possui todo o equipamento e pessoal necessário para que o cliente possa manter relações sexuais efetuando o pagamento de valores fixados ou combinados com as prostitutas". São relacionadas 22 das quase 150 mulheres que trabalham na casa.   A boate funciona do meio-dia às 4 horas e os homens têm de pagar para entrar e usufruir do "balneário e da boate" - o programa com uma das garotas é pago à parte. Elas trabalham recebendo R$ 300 pelo programa, sendo fiscalizadas para que permaneçam o menor tempo possível com os clientes. A jornada diária é de 8 horas.   Por fim, o promotor lembra que o empresário foi autuado pela Fazenda Pública Estadual porque estaria sonegando impostos, o que lhe valeu uma multa de R$ 432 mil.

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