2º Batalhão de Choque da PM
2º Batalhão de Choque da PM

Os 'xerifes' por trás dos grandes eventos

Coronel e delegado cuidam da segurança de megashows a clássicos do futebol em SP

Luísa Alcalde, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Nos bastidores de shows como os de Paul McCartney, U2, Miley Cyrus, nas arquibancadas das Fórmulas 1 e Indy ou nos campos de clássicos como Santos e Corinthians, no Pacaembu, o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, da Polícia Civil, e o coronel Carlos Celso Castelo Branco Savioli, da Polícia Militar, passam despercebidos na multidão.

Frequentadores de grandes eventos na capital paulista nem imaginam que aqueles dois anônimos são responsáveis pelas estratégias de segurança que vão garantir tranquilidade e ausência de tumultos. Os dois também foram escolhidos para atuar na Copa de 2014.

Cada um na sua área, começam a elaborar os planos, dependendo de cada caso, até um mês antes. Nos dias do evento montam nos locais uma espécie de quartel-general, onde comandam equipes prontas para atender a qualquer tipo de ocorrência policial ou de desordem. Muitos dos policiais destacados para a função são bilíngues, destaca Lima e Silva.

São montados até um posto do Instituto de Criminalística (IC) e um do Instituto Médico-Legal (IML), quando é necessário apoio da Polícia Técnica. O efetivo equivale ao total de funcionários de uma ou até duas delegacias. "Para facilitar a identificação no meio da multidão, os policiais vestem uniformes diferenciados", explica Lima e Silva.

O delegado tem ainda a incumbência de organizar a equipe de guarda-costas que protege autoridades que visitam a cidade. Entram nessa operação o levantamento preventivo de todo o trajeto que o estrangeiro vai fazer, além de informações sobre eventuais ameaças. "Encarregados da segurança de vips devem ter em mente que não precisam responder aos ataques se evitarem que a autoridade ou a celebridade seja atingida, colocando o corpo entre o agressor e o protegido", explica Lima e Silva.

Choque. À frente do 2.º Batalhão de Polícia de Choque, faça sol, chuva ou frio, o coronel Savioli comanda entre 90 e 150 homens que todos os fins de semana fazem a segurança em jogos de futebol nos estádios da capital ou atrás de palcos quando ocorrem grandes shows na cidade. Por jogo, eles realizam cerca de 50 mil a 100 mil revistas pessoais nas portas dos estádios. Não usam armas, apenas escudos e cassetetes.

É ele quem traça os planos, com os demais órgãos envolvidos, para escoltar as torcidas, separar as organizadas, garantir a ordem dentro dos estádios e proteger, além dos jogadores, o trio de arbitragem.

No momento do jogo, segundo ele, nem é possível dar uma olhadinha nos passes e dribles dos jogadores. "Mal começa o segundo tempo e já nos preparamos para a evacuação do estádio na saída", explica.

Durante as partidas, uma das principais preocupações do coronel é evitar que brigas isoladas se alastrem. "As multidões agem por contágio."

Antes de assumir essa função, ele até gostava de assistir aos jogos do Corinthians. "Hoje, durante as minhas folgas, o último assunto que quero saber é futebol. Prefiro ler história do Brasil."

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