''Os traidores foram embora, graças a Deus''

Antonio Carlos Rodrigues, presidente da Câmara de SP

Entrevista com

, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2010 | 00h00

Fundador do "centrão" - bloco que comanda a Câmara de São Paulo desde 2005 -, o presidente Antonio Carlos Rodrigues (PR), de 60 anos, deve conduzir hoje suas duas últimas sessões como chefe da Casa - a que elegerá seu sucessor, de manhã, e a da votação do orçamento 2011, à noite.

Carlinhos, como é conhecido, ficou quatro anos à frente do Legislativo paulistano, no mais longo mandato no comando da Câmara desde 1948. Ciente das remotas chances de seu candidato Milton Leite (DEM) na disputa contra José Police Neto (PSDB), apoiado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), o presidente da Casa abriu ontem seu gabinete à imprensa, em momento raro.

Sem terno, visivelmente abatido, admitiu placar de 28 a 27 a favor de Police Neto - para governistas, é 30 a 25 -, chamou três antigos aliados de "traidores" e disse manter a esperança, pois muita gente "pode ter dor de barriga" e não aparecer para votar.

O que o sr. pretende fazer?

Vamos reformular o "centrão". Agora sem os traidores, que foram embora, graças a Deus. Tem novos vereadores que se elegeram deputados e vão chegar outros (oito) novos parlamentares.

Como viu a saída de alguns vereadores para apoiar o grupo de Kassab?

Olha, o que mais chateia no Legislativo são os traidores. Você faz uma reunião a cada 15 dias, colabora daqui, colabora dali. E depois a pessoa não honra o que foi acordado.

Em 2005, vocês ganharam com um "traidor" da chapa adversária. Não é a mesma coisa?

É diferente. Agora temos um compromisso, um papel assinado (retira da pasta documento com 17 assinaturas de vereadores, registradas em cartório). Eles caminharam conosco. Mas para toda ação há uma reação. Eles podem esperar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.