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Os restaurantes mais antigos do Jardim Paulista

A origem do Fasano e outras casas maduras ainda na ativa. A caçulinha da lista existe há quase trinta anos

O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2015 | 19h38

As ruas do Jardim Paulista contam uma história gastronômica que teve início no século passado, quando ali surgiram (ou para onde se mudaram) algumas das casas mais importantes da cidade. O clássico Fasano, por exemplo, começou a funcionar no Conjunto Nacional nos anos 1960, com confeitaria e casa de shows. As glamorosas noites eram embaladas por atrações do naipe de Nat King Cole e levavam à plateia pessoas notáveis, como o ator David Niven e a atriz e cantora Marlene Dietrich. Fidel Castro e o Príncipe de Gales, entre outros, também visitaram o lugar. A história da casa, porém, começa em 1902, longe dali, na Praça Antônio Prado. A seguir, uma linha do tempo com nove dos mais antigos restaurantes dos Jardins.

Fasano, 1902: o milanês Vittorio Fasano fundou a Brasserie Paulista em 1902, na praça Antônio Prado. A praça e as ruas Quinze de Novembro, de São Bento e Direita começavam a se converter em espaços destinados a uma nova vida social paulistana. As pessoas da cidade passaram a se voltar cada vez mais para fora, adotaram o hábito de sair de casa. A brasserie dos Fasano ocuparia vários endereços antes de aportar como um dos melhores restaurantes italianos da cidade, em uma ruazinha do Jardim Paulista. Nos anos 1960, com o nome de Confeitaria e Restaurante Fasano, chegou ao Conjunto Nacional. Hoje, está no número 88 da rua Vitório Fasano. Da cozinha comandada pelo chefe Luca Gozzani, saem especialidades várias, a exemplo do nhoque recheado de ossobuco e do tiramisu. Na espera por uma mesa, os clientes são recebidos em um charmoso piano-bar.

La Paillote, 1953: inaugurado no Ipiranga, o espanhol La Paillote pertence à família Valluis, agora em sua quarta geração. Instalou-se nos Jardins em 2011 (R. Doutor Melo Alves, 769) e mantém no cardápio vários atributos. O mais prestigiado de todos, ao longo dos anos e desde os tempos de avenida Nazaré, tem sido o camarão à provençal. É servido em porções de quatro ou seis unidades. Preparados na frigideira com manteiga e alho, acompanha arroz puxado no molho dessa fritura.

Marcel, 1955: o imigrante francês Jean Durand chegou ao Brasil em 1951. Confeiteiro e cozinheiro, trabalhou em um restaurante famoso na época (La Popote), antes de comprar o pequeno bistrô de um amigo, Marcel Aurières. No fim dos anos 1960, Durand começou a desenvolver os suflês doces e salgados que se tornariam a identidade da casa. O Marcel hoje funciona na rua da Consolação, 3555, sob o comando do neto do fundador. Raphael Durand Despirite segue a tradição do avô com esmero.

Frevo, 1956: famosa pelos sanduíches, sobretudo os beirutes, a lanchonete teve sua primeira unidade inaugurada em 1956, no número 603 da rua Oscar Freire. Quase sempre os garçons comandam o pedido de um chope com o mesmo sonoro aviso de antigamente: “rabo de peixe!”. Há mais duas unidades. A da rua Augusta, pertinho do Espaço Itaú de Cinema, passou por uma reforma - para a qual muitos clientes mais antigos torceram o nariz. O salão ficou moderno, é verdade, mas nada que tenha prejudicado a cozinha e seus tradicionais lanches. O outro endereço é no Shopping Iguatemi.

Camelo, 1957: outro patrimônio do bairro, a casa é famosa pelas pizzas de massa fina, como a de alcachofra com azeitona verde e mussarela. Inaugurada na Pamplona, funcionou na verdade como restaurante de cozinha árabe até 1963, quando a família Nóbrega comprou o empreendimento e converteu o cardápio no que viria a ser uma das seleções de pizzas mais queridas da cidade.

Rodeio, 1958: churrascaria de luxo no número 1498 da rua Haddock Lobo. No bonito e concorrido salão são servidos cortes macios e suculentos de costela, bife de tira, bife ancho, fraldinha, picanha... Essa última, fatiada, tem a preferência de boa parte da clientela. Há uma segunda unidade, no Shopping Iguatemi.

1974, Shintori: inicialmente chamado de Suntory, mudou de nome e de proprietários nos anos 2000. Tem um jardim japonês interno e faz sucesso com o chamado gourmet Shintori, uma sucessão de grelhados entre os quais figuram foie gras, vieiras e até meia lagosta. Fica na Alameda Campinas, número 600.

1981, Lellis Trattoria: inaugurado por João Lellis na alameda Campinas - aonde ainda existe  um restaurante com o mesmo nome, mas sem vínculo com o grupo - ocupa agora um imóvel no 1849 da Bela Cintra 1849. Segue a fórmula cantineira pautada pela informalidade, o cardápio imenso e os pratos fartos. O agnolotti de nozes, ricota e espinafre é servido em molho branco, cremoso, com passas e parmesão gratinado.

1987, Amadeus: um dos mais importantes restaurantes especializados em peixes e frutos do mar de São Paulo. Os donos são o casal Ana Maria e Tadeu Masano, que inicialmente montaram o pequeno restaurante em um casarão na rua Pamplona. Hoje funciona na esquina da alameda Jaú com o número 807 da Haddock Lobo. A tradição é levada adiante por Bella Masano, filha dos fundadores. As ostras frescas, em vinagrete de melancia e bacon, são trazidas de Santa Catarina.

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