''Os prédios antigos nos ensinam muito''

ENTREVISTA - Norman Foster, arquiteto inglês

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Dono de um Pritzker (o Nobel da arquitetura), de um título de lorde dado pela rainha Elizabeth, de uma fortuna de 500 milhões de libras e de um dos traçados mais admirados, seja pelo arrojo ou pela preocupação com a sustentabilidade, o inglês Norman Foster diz trabalhar para que todos se sintam bem-vindos em seus edifícios.

É fã de Oscar Niemeyer, Lucio Costa e Burle Marx e fala hoje no Rio sobre O Futuro da Cidade. Vai também conversar com o artista plástico Vik Muniz e com o prefeito do Rio, Eduardo Paes. A pauta passa pelo legado arquitetônico que Olimpíada e Copa do Mundo podem deixar no Brasil. O Estado convidou o arquiteto paulistano Isay Weinfeld a também entrevistá-lo, por e-mail.

Qual é a sensação de pousar em um de seus aeroportos futuristas e depois ir para sua casa, um castelo do século 18?

Dá a importância do contraste. Poderia sair do aeroporto e ir para uma casa contemporânea, mas tenho a sorte de optar.

Qual seria o maior desafio para fazer um projeto no Brasil?

Identificar quais características fazem do Brasil um lugar especial e diferente dos outros, e as cidades que são centros importantes. Coisas que você pode quantificar, mas também as que são difíceis de medir, que constituem o espírito do lugar.

Alta tecnologia e eficiência ecológica são traços fortes do seu trabalho. Você pode abrir mão disso, dependendo do projeto?

A resposta é sim. Mas eu acrescentaria que a tecnologia tem sido um tema recorrente na arquitetura desde o início da civilização. Os primeiros construtores tiveram de trabalhar com a natureza para criar ambientes habitáveis. Os prédios antigos nos ensinam muito ainda hoje.

Há restrição moral ou política que te leva a recusar projetos?

Sim. É sempre um julgamento de valor. E a química do relacionamento cliente-arquiteto é importante também.

Você adora voar. Quando idealiza um projeto você pensa em como ele será visto do céu?

Sempre.

Ainda tem vontade de fazer um projeto pequeno?

Trabalho num nesse momento: uma vinícola na Europa.

Você disse certa vez que o seu Flash Gordon é Frank Lloyd Wright (arquiteto americano do século 20). Como se sente como um herói de hoje?

Não lembro de dizer que Frank Lloyd Wright era meu Flash Gordon, mas, se isso significa um herói, então ele é um dos muitos, e certamente Oscar Niemeyer seria também, assim como Le Corbusier, Alvar Aalto e Mies Van der Rohe. Eu acrescentaria arquitetos anônimos de prédios bons e honestos, vilas e, claro, catedrais.

Você já trabalhou numa padaria, como motorista, vendedor de mobília, segurança de casa noturna... Levou algumas dessas experiências para a arquitetura?

Claro. Talvez a experiência mais valiosa tenha sido a daquela época, porque tinha de dar conta de muitas coisas ao mesmo tempo e equilibrar a universidade com essas atividades, que bancavam meus estudos.

Quando você olhava pela janela do seu quarto em Manchester, imaginava que iria tão longe?

Não. E nesse sentido tudo mudou. Por outro lado, nada mudou, porque eu tenho tanta paixão por projetar agora quanto naquela época. D

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