JF Diorio/AE
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Os ônibus já param. Só faltam os automóveis

Respeito ao pedestre por apenas uma parte dos motoristas faz crescer risco ainda mais para quem atravessa na faixa

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2011 | 00h00

Os pedestres de São Paulo estão enfrentando uma espécie de "armadilha" para atravessar ruas na faixa, apesar da intensa fiscalização da Prefeitura. Por ironia, a situação é provocada porque uma parcela dos motoristas, principalmente os de ônibus, começou a respeitar a prioridade das pessoas a pé. Mas, como a maioria ainda avança sobre a faixa, os pedestres que começam a travessia acabam surpreendidos por outros carros e motos.

A reportagem do Estado flagrou essa situação, com alto risco de atropelamento, em pelo menos dez ocasiões ontem no centro. A área foi a escolhida para receber desde quarta-feira a primeira Zona de Máxima Proteção ao Pedestres (ZMPP), onde há cruzamentos com reforço de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e orientadores para impedir o avanço sobre a faixa.

Apesar de as ações terem começado há apenas três dias, alguns motoristas de ônibus passaram a dar prioridade ao pedestre na faixa de segurança. Um dos motivos é que essa categoria recebeu palestras sobre a importância do respeito à faixa. A maior parte dos motoristas, entretanto, não para nesses locais quando não há semáforos ou agentes da CET à vista. E esse período de transição provoca risco para pedestres.

Flagrantes de desrespeito. Às 15h07 de ontem, por exemplo, um ônibus parou para dar passagem aos pedestres na Rua Benjamin Constant, na esquina com a Quintino Bocaiuva. Cinco pedestres começaram a atravessar a rua na faixa de segurança, mas precisaram parar quando um carro e duas motos avançaram em alta velocidade. As motos passaram raspando ao lado de um deles.

A mesma situação foi verificada no cruzamento da Quintino Bocaiuva com a Rua Riachuelo. Um ônibus parou pouco antes da faixa, mas motos avançaram praticamente rente ao acostamento e não permitiram a travessia das pessoas. "Quase ninguém ainda respeita. É preciso ter cuidado, porque um carro pode parar pra gente, mas outros 20 parecem que querem nos atropelar", diz o advogado Alfredo Martins, de 72 anos.

Os técnicos da CET afirmam que esse é um motivo de preocupação. "É um risco que existe em uma rua onde há duas faixas ou mais. A frota de ônibus foi treinada e muitos já param na faixa de pedestres. Mas outros veículos ainda desrespeitam e surpreendem quem já está fazendo a travessia", disse o gerente de Educação no Trânsito da CET, Luiz Carlos Néspoli. Ele recomenda que motoristas tenham cautela e analisem o comportamento dos veículos mais à frente. "Se um carro está parando, é porque existe algum fator no cruzamento que exige isso."

Braço esticado. Esse problema foi constatado no início de programas para reduzir atropelamentos em outros municípios, como em Brasília, na década de 1990. Uma das soluções encontradas foi orientar motoristas de ônibus e táxi para que esticassem o braço esquerdo para fora do carro sempre que parassem na faixa, indicando que os demais também deveriam parar. Com o tempo, outros motoristas em seus automóveis particulares começaram a adotar o mesmo procedimento.

"É uma boa dica para ajudar a orientar os demais", diz o ex-secretário dos Transportes de Brasília Nazareno Stanislau Affonso. Outra medida importante, segundo ele, é colocar agentes no maior número possível de cruzamentos.

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