Acervo/Reprodução
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Os leões, ursos e elefantes da Aclimação

Primeiro zoológico da cidade ficava dentro do Jardim da Aclimação, precursor do atual parque

O Estado de S. Paulo

23 Novembro 2015 | 19h53

No mesmo lugar em que hoje existe o Parque da Aclimação, funcionou o primeiro zoológico de São Paulo. O Jardim da Aclimação, criado pelo médico, político e fazendeiro Carlos Botelho (1855 -1947), reproduziu na região o famoso Jardin d'Acclimatation. Na realização de seu sonho de Botelho, estavam também onças, leões, um urso polar e até mesmo elefantes, que se banhavam no lago.

"O terrível urso branco do polo norte, que há dias atacou seu tratador", dizia um anúncio de jornal da época em que o Jardim da Aclimação era o ponto preferido dos paulistanos para lazer. As propagandas de "O peixe elétrico do Amazonas" e das "hienas - o terror dos cemitérios" também atraíam o público.

Os animais da fauna nacional eram comprados pelo próprio Botelho ou trazidos por amigos do político. O marechal Cândido Rondon chegou a capturar alguns em expedições no Mato Grosso e os enviava para serem exibidos na Aclimação. Já os "estrangeiros" foram importados de coleções europeias, especialmente de Hamburgo, na Alemanha, e chegavam de barco em Santos. Entre eles, havia o urso polar Maurício, cuja jaula era resfriada com barras de gelo. Um dos favoritos das crianças era o camelo Gzar, montaria para fotos de recordação.

Dos casos mais curiosos do zoológico da Aclimação, a fuga de uma sucuri foi registrada em 1920, quando a cobre de cinco metros de comprimento escapou da jaula e dez homens foram convocados para capturá-la.

A história. O primeiro zoológico paulista começou em 1882, quando Botelho adquiriu terras no antigo sítio do Tapanhoim, vizinho das chácaras do cônego Fidelis e da Glória (atual Cambuci). Além do zoológico, havia uma granja leiteira, que vendia copos de leite para os visitantes, uma hípica e também barracas de jogos como tiro ao alvo e pescaria, além de um carrossel e uma das grandes novidades tecnológicas da época, um cineminha.

O parque virou ponto turístico e atraía gente de toda a capital. Aos domingos, depois da missa, ficava cheio de casais de namorados e crianças correndo para aproveitar todas as atrações. Acabou vendido ao poder público em 1939, quando em má situação financeira a família de Carlos Botelho loteou sua parte do bairro.

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