Os fones grandes voltam às ruas

Coloridos e chamativos, tornaram-se uma febre entre jovens descolados que fazem questão de estilo e qualidade de som

Valéria França, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - Os antigos headphones, com os arcos e as almofadas dos áudios em cada extremidade, estão de volta. Agora mais modernos e coloridos, viraram objeto de desejo entre jovens descolados, que passaram a circular pelas ruas com esses aparelhos chamativos nas orelhas. Parece uma volta aos anos 1980. O headphone chegou até às passarelas da São Paulo Fashion Week nesta edição, quando a Triton colocou um modelo branco da Philips na cabeça de todas as modelos, como se fosse acessório de verão. Mas a moda não começou em São Paulo. A top Muriel Beal, de 19 anos, por exemplo, comprou um rosa choque da Zumreed, há mais de sete meses no Japão. "Lá e em Nova York é muito comum. Achei superestiloso."

 

A modelo Muriel com seu headphone rosa da Zumreed. Foto: Evelson de Freitas/AE

A marca japonesa Zunreed tem modelos de todas as cores e com formatos diferentes - redondo, retangular e quadrado. No Brasil, a Sony lançou uma série que segue a mesma proposta. O DJ Daniel Vitor Ferreira, de 26 anos, preferiu um modelo preto. Ele coloca o fone assim que sai de casa. Mora em Pirituba e trabalha no Paraíso. "São 40 minutos de viagem de trem e metrô, nos quais relaxo ouvindo música. Esse fone é mais confortável. "

Audição. "O fone intra-auricular (o pequeno) pode causar um trauma no conduto externo auditivo (que é a região logo após a penugem do ouvido)", diz Luciano Neves, otorrinolaringologista da Universidade Federal de São Paulo. "O headphone fica mais afastado do tímpano do que o intra-auricular, o que é melhor. Mesmo assim pode causar perda de audição, se o usuário tiver o costume de ouvir som alto."

Qual o volume ideal? "Imagine que você esteja conversando com um amigo a uma distância de 3 metros. Esse é o volume ideal", diz Neves. Em geral, os headphones oferecem qualidade de som superior ao dos intra-auriculares. "Ao contrário do pequeno, o alto falante maior responde a toda gama de som", diz Lala Moreira, DJ e produtor. "O pequeno não capta, por exemplo, os graves, fundamentais na música eletrônica."

Outra questão tem a ver com a fidelidade do som. Wanderson Rodrigues Ferreira, de 24 anos, vendedor especializado em áudio, da Play Tech, loja da Rua Santa Ifigênia de instrumentos musicais, explica que o fone menor ainda transmite agudos que não existem no som original.

Do camelô à loja. Há vários tipos e preços de headphone. No camelô, um genérico sai por R$ 15. "Fuja dele. Quebra em três meses", diz Ferreira. O áudio também é de péssima qualidade. "O som sai embolado. E isso é estressante. Depois de uma hora com ele nos ouvidos, dá vontade de arrancá-lo, mas nem se sabe o motivo", diz Moreira.

Nas lojas, há aparelhos que variam de R$149 (o PQ3, da Sony) a R$ 5 mil (T1, Beyerdynamic) - modelo top profissional. Antes de comprar, os especialistas recomendam que se faça um teste de avaliação do produto. "Não existe fone bom ou ruim, mas, sim, adequado a suas necessidades", diz Moreira. "Não adianta falar em marcas. Se o som parecer agradável a sua sensibilidade e ao seu conhecimento musical, este fone é bom para você."

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