Os erros apontadas pelo IC como causas do acidente da TAM

Laudo do Instituto de Criminalística aponta doze falhas que desencadearam a tragédia de julho de 2007

Da Redação,

12 Dezembro 2008 | 18h41

Em novembro, após 16 meses de investigação, o Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo finalizou o laudo sobre o acidente com o Airbus A320 da TAM. O primeiro parecer técnico e oficial sobre a tragédia - que deixou 199 mortos em 17 de julho de 2007 - aponta falhas administrativas cometidas principalmente pela cúpula e por altos funcionários da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Além disso, identifica erros da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), da TAM, dos pilotos do avião e até da fabricante do jato.   Veja também: Perícia aponta falhas de TAM, piloto, pista e Anac em acidente O que mudou - e o que não mudou - desde o acidente da TAM  TV Estadão: Os registros das câmeras de segurança na hora do pouso  Os nomes e as histórias das vítimas do acidente da TAM  Famílias de vítimas da TAM entregam projeto de memorial  Tudo o que já foi publicado sobre a tragédia do vôo 3054        O laudo produzido pelo Núcleo de Engenharia do IC utiliza o modelo do "queijo suíço", desenvolvido nos anos 90 pelo psicólogo britânico James Reason, para explicar as diversas falhas que culminaram no maior acidente da aviação brasileira. A primeira "fatia" corresponde à Anac, encarregada de legislar sobre o setor aéreo.   Confira a seqüência de erros apontadas pelo IC como responsáveis pela tragédia da TAM   1- Anac - como responsável pela regulação do setor aéreo, a agência deveria ter editado uma norma estabelecendo critérios mais seguros para a realização de pousos e decolagens no Aeroporto de Congonhas;   2 - Infraero - ignorou normas que recomendam a medição do coeficiente de atrito da pista após um longo período de estiagem, além de liberar a pista sem grooving (ranhuras);   3 - Airbus - apesar de acidentes idênticos induzidos por erros no uso das manetes, não determinou a instalação do alarme sonoro na cabine;   4 - TAM - o programa de treinamento foi ineficiente, uma vez que os pilotos não seguiram o procedimento padrão no pouso;   5 - Pilotos - deixaram as manetes em posição errada, mas aparecem como 'vítimas' de um sistema falho;   6 - Espelho d'água - a ausência de ranhuras na pista do aeroporto torna o asfalto mais suscetível ao fenômeno do 'espelhamento'   7 - Toque na pista - a leitura dos dados da caixa preta mostra que os pilotos da TAM realizam um pouso perfeito, tocando o solo no ponto exato;   8 - Manete errada - a caixa-preta mostrou que a manete direita ficou na posição 'subida' enquanto a outra foi colocada em 'reverso';   9 - 'Spoilers nada' - com as manetes na posição errada, os spoilers (freios aerodinâmicos) deixaram de ser acionados;   10 - Manete fica na mesma posição - apesar de um dos aceleradores ter ficado na posição errada, os computadores do jato não emitiram nenhum sinal de alerta;   11 - Avião puxa para esquerda - com um lado acelerando e outro freando, cria-se a chamada 'assimetria de potência' e os pilotos perdem o controle do jato;   12 - Uso do leme para direita - com o avião prestes a sair da pista, os pilotos ainda tentam corrigir a rota acionando os freios e o leme da aeronave.   Além da seqüência de fatores, outros problemas colaboraram para o acidente   - Caixa-preta do 3054 - investigação afirma que acidente estava previsto, tecnicamente, desde 2000; - Reverso pinado - com o frio aerodinâmico desativado, não houve como evitar a tragédia; - Falta de exame na pista - organização internacional recomenda a medição de coeficiente de atrito; - Sem aquaplanagem - exames mostram que avião acelerou ao pousar, por erro no uso das manetes.

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