Os designers que vendem SP no mundo

Prêmio americano referenda trabalho de profissionais que estão mudando facetas da capital, que concentra mais de 20% dos 300 escritórios do País

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2010 | 00h00

Quanto mais a cidade se moderniza, mais claro fica o papel do design no dia a dia de seus cidadãos. É estética, mas não só. Conforto, utilidade, diferença... Tais valores, embutidos na embalagem dos produtos, na comunicação visual dos espaços urbanos e na forma dos objetos de uso cotidiano, são pensados por uma turma de profissionais cada vez mais valorizados: os designers.

Segundo a Associação Objeto Brasil - organização criada em 1996 com o objetivo de divulgar o design nacional no País e no exterior -, dos cerca de 300 escritórios brasileiros, mais de 20% estão na capital paulista. "São Paulo bomba. É a nossa Nova York. Já está se tornando a segunda capital mundial do design", avalia Joice Joppert Leal, diretora da Objeto Brasil.

A empolgação é fruto de conquistas recentes. No último fim de semana, o País obteve a melhor colocação da história no prêmio Idea Awards, nos Estados Unidos, uma espécie de Oscar da categoria. Com nove medalhas - quatro de ouro -, o Brasil só ficou atrás dos próprios americanos. "Vivemos um momento especial. E essa premiação é sinal disso", afirma a designer Gisela Schulzinger, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing, uma das 25 instituições paulistanas que formam designers - no Brasil, são cerca de 300.

A cara da cidade. Certo é que esses profissionais começam a mexer com a aparência da metrópole paulista.

Um dos medalhistas de ouro foi o projeto que pintou as fachadas dos imóveis no bairro do Bexiga - ou, oficialmente, Bela Vista. Assinada pelo escritório Padovano, a ideia foi reforçar a identidade italiana no bairro por meio das cores. "Ficamos uns 15 dias estudando a paleta de cores", explica a designer Suzana Sacchi Padovano.

Ela conta que, para que não se tornasse um processo impositivo, os moradores do bairro puderam participar da escolha. "Nós sugerimos, é claro. Mas acima de tudo queríamos o comprometimento da comunidade", diz ela, cujo escritório funciona desde 1981. "O prêmio é importantíssimo para referendar o nosso trabalho", completa a designer, que fez questão de ir pessoalmente receber a honraria nos Estados Unidos.

Outro que voltou dos Estados Unidos com a medalhinha dourada é o designer Jair de Souza. Carioca, ele mantém um escritório que leva seu nome no Rio.

Mas o projeto premiado é o paulistano Museu do Futebol, no paulistaníssimo Estádio do Pacaembu. "A concepção do museu é coletiva", frisa ele, repetindo que não quer ficar com os méritos sozinho. "Fomos premiados pelo design visual do museu, pela direção de arte multimídia, pela marca..."

Durante dois anos e meio, Souza contou com a colaboração de 25 profissionais para a empreitada - normalmente seu escritório tem de seis s oito designers. "É uma estrutura sanfona, que se expande conforme a necessidade", explica Souza.

Daqui para o Maranhão. Também medalhista de ouro é o projeto do escritório Dia Comunicação. Os paulistanos Rodrigo Rabello e Daylton Almeida bolaram o novo visual do cult Guaraná Jesus, refrigerante cor-de-rosa tradicional do Estado do Maranhão e comprado recentemente pela multinacional Coca-Cola. "Revitalizamos a marca, deixando-a com um traço mais fluido, mais contemporâneo", comenta Rabello.

Para fazer a pesquisa, a dupla ficou uma semana em São Luís, capital maranhense. "Estudamos os costumes, entrevistamos consumidores e vivenciamos a cultura de lá", lembra Almeida. "Nunca tinha ido ao Maranhão e nunca tinha provado o refrigerante. Agora, adoro. Na volta do Maranhão mesmo, tomei três latinhas."

Exemplos. São casos que enchem os olhos de quem acompanha esse mercado. "O design brasileiro hoje está muito maduro", acredita Luciano Deos, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign). A entidade prepara, para o ano que vem, um levantamento completo que deverá mapear o segmento no País.

"Hoje a cultura do design está sendo incorporada pelos empresários. Eles entendem a necessidade de investir nisso para se destacar da concorrência", argumenta Luis Emiliano Costa Avendaño, professor de design do Centro Universitário Belas Artes.

Eventos. A versão brasileira do prêmio Idea acontece no dia 24. Até o dia 28, os projetos finalistas ficarão expostos no Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073). A visitação é gratuita.

Também deve acontecer nos dias 25 e 26 a segunda edição da Conferência Internacional MOB Design, no Teatro Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569). Na lista de palestrantes, nomes como o do vice-prefeito de Seul, Kyung-won Chung, e o da vice-presidente do grupo de tendência LPK, Valerie Jacobs, entre outros estrangeiros. Mais informações pelo telefone (11) 3032-7191.

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