Os desafios do 61º prefeito de São Paulo

Até março, Haddad deverá apresentar o plano de metas para a sua gestão

MARCOS MÜLLER / INFOGRAFIA, RODRIGO BURGARELLI , VITOR HUGO BRANDALISE , REPORTAGEM, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2012 | 02h05

São Paulo é uma cidade de problemas e, por isso mesmo, de desafios. A partir de terça-feira, ela será governada por seu 61.º prefeito desde 1899, quando instituiu a existência desse cargo de uma vez por todas. Ao mesmo tempo em que vai encontrar várias reclamações, contratempos e desperdícios, Fernando Haddad (PT) também terá pela frente o maior orçamento da história da cidade, que deverá crescer ainda mais nos próximos anos: R$ 42 bilhões.

Não é pouco dinheiro, ainda mais para uma cidade que apresentou um histórico de desequilíbrio nas suas contas públicas nas últimas décadas. O problema foi mais grave principalmente entre as décadas de 1970 e 1990 - justamente quando a capital viu sua população quase dobrar para 10 milhões de pessoas, sem ter como melhorar a infraestrutura no mesmo ritmo. Enquanto bairros afastados como Cidade Tiradentes, Capela do Socorro e Jaraguá cresciam sem controle, a Prefeitura mal conseguia pagar suas contas de custeio e o ex-prefeito Mário Covas (1983-1985) chegou a apelidar a cidade de "capital falida".

A aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2000, e o crescimento econômico da última década melhoraram muito a capacidade de investimento do Município. Mas ainda hoje a herança de problemas para resolver desde essa época ainda é o principal passivo que Haddad terá de ajudar a diminuir. Entram nessa conta desde problemas habitacionais, como as milhares de famílias que vivem em situação precária, por exemplo, até a falta de emprego nas periferias e o excesso de carros atravessando a cidade todos os dias.

Para ilustrar o caminho que Haddad terá de percorrer para conseguir cumprir seu objetivo de entregar uma São Paulo melhor até 2016, o Estado separou os principais desafios que deverão ser enfrentados por ele e quais foram suas propostas já anunciadas para superá-los. Até março deste ano, o novo prefeito deverá apresentar o plano de metas para a sua gestão - que deverá trazer dados e indicadores mais detalhados sobre o que pretende fazer nos quatro anos do mandato.

Tarefas. A lista de problemas é enorme. Na questão da mobilidade, o deslocamento diário do paulistano está 6 minutos mais demorado desde 2009. A criminalidade também está aumentando e críticos da gestão Gilberto Kassab (PSD) reclamam que a Operação Delegada (bico oficial de PMs pago pela Prefeitura) e a Guarda Civil Metropolitana focam o combate ao comércio irregular em vez de outros crimes.

Na área da educação, o maior desafio é a enorme fila das creches. Além disso, a rede municipal de ensino apresenta avanços no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (31,28 pontos entre 2005 e 2011) menor que a média do Brasil (57,1 pontos).

Na saúde, outra área considerada essencial, as filas para se marcar exames e consultas especializadas podem demorar meses. São Paulo também sente falta de áreas verdes, reclama das enchentes que nunca são resolvidas e da poluição do ar e dos rios da capital, que também parecem não melhorar.

Arco. Grande parte desses problemas já deverá ser discutida no início da gestão, quando Haddad terá de aprovar na Câmara Municipal o novo Plano Diretor do Município. Sua proposta é induzir a criação de novos polos de emprego nas periferias e no eixo da Marginal do Tietê - projeto batizado de "Arco do Futuro". O objetivo é tanto diminuir os problemas de trânsito quanto planejar as obras viárias, os novos parques e equipamentos públicos que serão instalados nos bairros.

Diversas outras obras de infraestrutura - como três novos hospitais - e melhorias gerenciais também foram prometidas pelo novo prefeito. As principais estão listadas nesta página, como um retrato do que poderá ser a cidade em 2016 caso as promessas saiam do papel.

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