Os cursos noturnos e a segurança na USP

A organização geográfica das atividades na Cidade Universitária é fundamental para a reformulação dos serviços de segurança

Carlos Alberto Caio Dantas, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

O trágico assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, do curso de Ciências Atuariais, na Cidade Universitária, deve precipitar a busca de soluções para o problema dos cursos noturnos na USP, no qual o da segurança tem caráter primordial. Deve-se, no entanto, evitar soluções pontuais e imediatistas.

A extensão territorial da Cidade Universitária e a maneira aleatória com que foram construídos os prédios dos institutos e faculdades colocam obstáculos sérios para uma solução tanto dos problemas de segurança quanto dos acadêmicos e administrativos no período noturno. Os instrumentos de apoio ao ensino não funcionam no período noturno como no diurno: as bibliotecas, em geral, fecham às 21h; os serviços de apoio à graduação e os de secretaria e sessões de alunos também não funcionam durante todo o período das aulas.

Na maioria dos câmpus das universidades americanas, as aulas teóricas são ministradas quase que exclusivamente em um prédio ou conjunto de prédios vizinhos. Para essa área se deslocam quase todos os estudantes. Aulas de laboratório são dadas nas unidades em horários convenientes.

A adoção de um sistema de uso do espaço nesses moldes na Cidade Universitária daria condições para a implantação de um efetivo sistema de segurança, mantendo-se uma guarda fixa nessa área e uma móvel nas outras cujo horário de atividades deveriam ser comunicados previamente. Essa reorganização do espaço físico facilitaria também a reformulação dos currículos e dos serviços de apoio acadêmico aos estudantes, principalmente para os do noturno.

Hoje em dia é quase impossível montar uma grade curricular flexível e interdisciplinar, pois a dispersão geográfica atual das unidades no câmpus torna inviável o deslocamento dos estudantes.

A discussão sobre a segurança na Cidade Universitária é antiga. Na gestão Hélio Guerra Vieira, este articulista foi membro de uma comissão do Conselho Universitário da USP encarregada de propor diretrizes para um plano de segurança do câmpus. Essa comissão entrevistou-se com o secretário de Segurança na época, Manoel Pedro Pimentel, e elaborou um documento que foi entregue ao reitor. Uma das recomendações era a de constituir guarda universitária que não portaria armas, mas que seria treinada por membros da Polícia Militar, que também lhe dariam retaguarda. Para esse fim, seria firmado convênio entre a USP e a Secretaria de Segurança. A guarda foi constituída, mas o convênio e o treinamento da guarda não foram realizados.

Soluções de caráter acadêmico precisam ser precedidas pela ampliação dos serviços acadêmicos no período noturno e, primordialmente, pela reformulação dos serviços de segurança, para os quais é fundamental a reorganização geográfica das atividades no câmpus.

FOI PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO DA USP DE 1994 A 1997

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