Os crimes contra as mulheres são vergonha nacional

Análise: Luiz Flávio Gomes

É JURISTA, DIRETOR-PRESIDENTE DO INSTITUTO AVANTE BRASIL, O Estado de S.Paulo

15 Março 2013 | 02h03

A violência machista, praticada por quem se sentia "o lixo dos lixos", diante do fim de um relacionamento, deparou-se com o sinal vermelho da Justiça, indicativo de que essa vergonha nacional não pode ter continuidade no nosso País, que é o 7.° no ranking mundial nesse tipo de delito. Em 1980, 2,3 mulheres eram assassinadas em cada grupo de 100 mil. Esse exorbitante e acintoso número dobrou em 2010, quando também chegamos a 11 mulheres mortas diariamente, sete delas por seu namorado ou ex-namorado, noivo ou ex-noivo, marido ou ex-marido.

Computando-se o tempo já cumprido, Mizael terá de passar mais 7 anos no regime fechado, para depois postular progressão para o regime semiaberto. Enquanto a sentença não transitar em julgado, continua recebendo seu salário.

Todo assassinato não justificado é aético. Ética, aliás, "nada mais é que reverência pela vida" (Albert Schwitzer, teólogo francês). Nós, os humanos, somos diferentes dos animais porque temos liberdade de escolher (dentro de certas circunstâncias) e podemos reconhecer a vulnerabilidade da nossa existência. Se tivéssemos mais consciência dessa vulnerabilidade, teríamos mais cuidado com a vida dos outros. Existem mil maneiras de resolver conflitos. Recorrer à violência é um atraso civilizatório abominável.

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