'Os coreanos têm raízes. Estão aqui para construir uma vida'

Colônia marca lugar no empreendedorismo e já há quem se sinta mais 'autêntico' no Brasil do que em Seul

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h02

É difícil imaginar que um jovem sul-coreano tenha sentido um ímpeto, mais de 20 anos atrás, de se matricular, em Seul, na faculdade de Literatura Portuguesa. Ainda mais que seu interesse pela cultura lusófona aflorou porque seu amigo havia imigrado para a Argentina e lhe apresentado um cantor chamado César "Banana" Pueyrredón. Mas Simon Ma conta esse caso em bom português, como se fosse o mais natural do mundo. "Na faculdade, me encantei por Camões", acrescenta o diretor de televisores da LG Eletronics.

Ma é representante de um dos grupos da colônia coreana na metrópole, a dos executivos que vêm ao País com tempo determinado, com um mandato a cumprir em uma multinacional. Antes de chegar ao Brasil, passou pelo Peru e pela Argentina. "Aqui é o país com menos preconceitos. Meu 'mandato' na empresa é de quatro anos, mas eu ficaria mais", diz Ma, que chegou em fevereiro e trouxe a mulher e as duas filhas.

Quem resolveu ficar mais mesmo foi Douglas Hwangbo, de 56 anos. Em 1999, ele veio para o Brasil como representante de um banco estatal coreano. No ano anterior, com a crise financeira que devastou a Ásia, Hwangbo havia recebido a difícil tarefa de demitir funcionários. Recusou-se, pediu demissão e, como contraproposta, foi mandado para cá. "Não sabia nada do Brasil, só que era longe", diverte-se. Trouxe as duas filhas e a mulher a contragosto delas, que achavam o País muito inseguro. Três anos depois, foram elas que não quiseram ir embora.

Retrato fiel dos coreanos que vêm para ficar é Sung Soo Hong, de 47 anos, no Brasil há 36. Seu pai veio como engenheiro de tecelagem de uma empresa têxtil e o filho se manteve no ramo. Hoje, é dono de uma confecção no Bom Retiro com mais de 200 funcionários. Todos brasileiros. Hong se sente perdido quando vai para Seul, porque "no Brasil a gente pode ser mais autêntico".

Ele só espera dos "conterrâneos" que as referências à colônia não sejam sempre pejorativas. "Os coreanos têm raízes. Estão aqui para ficar, para construir uma vida." / F.T., R.B. e W.C.

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