'Os ativistas que maltrataram os animais', diz Royal

Coordenadores do instituto afirmam que ação causou vários danos aos bichos; segundo eles, pesquisas de dez anos foram perdidas

GIOVANA GIRARDI, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2013 | 02h01

"Os ativistas disseram que retiraram os animais do Instituto Royal por causa de supostos maus-tratos, mas quem cometeu maus-tratos com os cães foram eles." Essa foi a reação dos coordenadores do instituto ontem, no primeiro dia que vieram a público e atenderam aos pedidos de entrevista desde a invasão, há uma semana, que culminou com o roubo de 178 beagle.

A declaração acima é da bióloga Silvia Ortiz, gerente-geral do Royal. Ela e o diretor científico do instituto, João Antônio Pegas Henriques, concederam ontem uma entrevista ao Estado da cobertura de um prédio comercial luxuoso com vistas para todo o Pacaembu, onde funciona a assessoria de imprensa contratada para gerenciar a crise.

Segundo ela, se algo estressou aos animais foi a "arruaça" promovida na invasão. "A quantidade de fezes e de urina que os ativistas relataram lá dentro.... Os animais estavam dormindo com temperatura, iluminação e umidade controladas. De repente entram 150 pessoas fazendo arruaça, aos gritos. É claro que eles urinaram e defecaram. Os animais ficaram estressados."

"Mostraram animais tremendo na TV, mas eles não estão acostumados com isso. Nem sequer estão acostumados a ir para o colo. Eles não são pets. Os ativistas dizem que agora eles estão em casa, em uma cama quente, com comidinha. Eles não estão acostumados a comer comidinha, comem ração! Vai dar diarreia e muitos podem nem estar comendo", diz Silvia.

Os dois negaram repetidas vezes que houvesse maus-tratos ou que fosse feito no laboratório teste de cosmético nos cães. "Testamos cosméticos, mas só em células, in vitro. Nunca em animais", explica Henriques.

Sobre a alegação da apresentadora Luisa Mell, que estava na invasão, de que havia ao menos um animal com a pata quebrada e outros com cicatrizes e tumores, Silvia rebateu. "A pessoa fala que a cadela estava com calombos, gorda. Mas ela estava prenha! Não tem cicatriz nenhuma. Mostraram um animal sem olho dizendo que era do Royal e depois desmentiram. Também não tem pata quebrada, a não ser que algum animal tenha sido quebrado na retirada", diz.

Eles ainda não estimaram os prejuízos financeiros e científicos, mas dizem que "não deve ser pouca coisa". Segundo Henriques, microscópios avaliados entre R$ 80 mil e R$ 100 mil foram quebrados e equipamentos de laboratório, computadores e materiais de testes, levados.

"Além de perdermos as pesquisas que estavam em andamento para drogas anticâncer, diabete, hipertensão, epilepsia, de antibióticos e anti-inflamatórios, desperdiçamos todo o estudo para a padronização genética dos cães usados. Foram dez anos para que eles chegassem aos níveis de padrão internacional", afirma Henriques.

Segundo ele, testes do laboratório levaram à aprovação de uma droga antimalária da Fiocruz e de mais outros três medicamentos que estão no mercado. Ele não quis informar, no entanto, quais são os produtos nem de quais farmacêuticas,

Boas práticas. Apesar de cães serem usados em outros laboratórios, em especial em universidades, Royal é o único do País com reconhecimento de Boas Práticas de Laboratório - e por isso outros não fazem testes de fármacos de empresas. O instituto também é o único criador de beagles voltados para pesquisas. Segundo Sílvia, cada filhote custa em torno de R$ 2,4 mil.

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