Os 2 lados jogam duro e empresários podem ser a solução

Cenário: Bruno Ribeiro

O Estado de S.Paulo

07 Março 2012 | 03h07

O Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Bens Autônomos (Sindicam) se apoia no fato de a categoria ser composta por caminhoneiros donos do próprio veículo para manter a paralisação nas distribuidoras e para forçar a Prefeitura a um recuo nas restrições ao trânsito - o que seria um constrangimento em qualquer época, mas ganha mais impacto em um ano eleitoral. Diferentemente de uma greve no Metrô ou outro serviço público, esses profissionais não correm o risco de ter o ponto cortado.

Nem a multa diária milionária solicitada pela Prefeitura à Justiça contra os manifestantes tem efeito certo nesse cenário. E, para completar, o tom de voz elevado do prefeito Gilberto Kassab (PSD) para criticar o movimento teve uma resposta no mesmo tom por parte do sindicato, já no começo da noite: "Se a restrição me traz prejuízo, por que vou trabalhar? Ninguém pode me obrigar a trabalhar", esbravejou o presidente da entidade grevista, Norival de Almeida Silva. A intransigência fica pior se pensarmos que o tempo - e o combustível - está acabando.

Por outro lado, outro sindicato, o das Empresas de Transporte de Cargas do Estado (Setcesp), que representa as grandes transportadoras do Estado, e tem caminhoneiros apenas como empregados, nunca apoiou publicamente a manifestação dos autônomos e até chegou a ser convidado pela Prefeitura para uma negociação no começo da semana. Ontem à tarde, soube pela imprensa que também estava sendo acionada na Justiça.

A solução do impasse pode partir dos empresários, que têm força suficiente para substituir os autônomos em número de caminhões, usando até frota de outras regiões. Mas eles também sofrem prejuízos e vão querer uma contrapartida da Prefeitura.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.