Órgãos viram arma contra especulação e desorganização

O quarteirão no Itaim-Bibi deve ser mantido do jeito em que está hoje, pelo bem da metrópole e dos paulistanos? O Cine Belas Artes, na Rua da Consolação, também merecia ser protegido? A melhor maneira de impedir a construção de um monotrilho no Morumbi é entrar com um processo de tombamento das casinhas do bairro?

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2011 | 00h00

No lugar de discutir e tentar responder a essas perguntas, São Paulo está se acostumando a fazer o caminho inverso - abre-se o processo de tombamento nos órgãos públicos para congelar áreas como o terreno no Itaim, mas não se discute o desenvolvimento urbano. É como se o Conpresp e o Condephaat, siglas dos órgãos de preservação municipal e estadual, fossem as últimas instâncias hoje para resolver problemas causados pela especulação imobiliária, a falta de abertura no poder público para discutir problemas que interferem na vida dos bairros e dos moradores, a desorganização da capital.

Segundo urbanistas e os próprios especialistas em patrimônio, antes de decidir preservar qualquer lugar, tanto a Prefeitura quanto a sociedade civil precisam debater e descobrir que São Paulo querem no futuro.

"A legislação de preservação é frágil e está sendo usada para qualquer coisa", afirma o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Nestor Goulart Reis, autor do livro São Paulo - Vila-Cidade-Metrópole. "Mas não dá para usar as regras do patrimônio para resolver problemas de planejamento. Os valores se diluem, as pessoas estão se valendo do patrimônio para defender outros interesses."

Para Fernanda Bandeira de Mello, presidente do Condephaat, São Paulo ainda não sabe como quer crescer e se desenvolver. "Falta planejamento objetivo. Essa discussão não está posta, ainda mais nessa cidade que tem um inchaço atabalhoado", alerta ela. "Por que São Paulo não tem o seu planejamento discutido para 20 anos ou mais? Não estamos pensando a cidade que queremos ter. É preciso fazer esse debate e só depois analisar o que é necessário tombar."

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