Órgãos estaduais evitam discutir crise da água em comitês

Órgãos estaduais evitam discutir crise da água em comitês

Ausência causa revolta entre representantes de bacias e da ANA; Sabesp deve apresentar plano de contingência na segunda

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Às vésperas do prazo que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) se impôs para entregar um plano de contingência do Sistema Cantareira, os dirigentes estaduais responsáveis pela gestão dos mananciais e pelo abastecimento de água na Grande São Paulo não têm comparecidos às reuniões públicas agendadas para discutir a crise.

Nesta sexta-feira, representantes da Sabesp e do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) não compareceram à reunião do Comitê da Bacia do Alto Tietê. A ausência da companhia, que faria uma apresentação sobre as medidas adotadas até hoje e o planejamento para os próximos meses, causou revolta dentro do comitê.


“Lamento o comportamento negativo por parte do governo de São Paulo de desmontar os encontros técnicos para discutir a crise. Não se trata da proximidade das eleições (que ocorrem neste domingo), mas do agravamento da situação”, disse o presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu, que foi convidado para falar sobre o Cantareira. “Isso me faz crer que a partir de segunda-feira vem coisa muito séria por aí”, disse José Avanito Arraes, membro do comitê.

A próxima segunda-feira foi o prazo solicitado pela Sabesp para entregar à ANA, um dos órgãos reguladores do Cantareira, o plano de contingência para operar o manancial até o fim do próximo período chuvoso, em abril, e propor ações, caso as chuvas até lá fiquem novamente abaixo da média, como no início deste ano. Uma versão do plano foi enviada na semana passada, mas a companhia pediu para fazer “correções”.

Na proposta que será revisada, a Sabesp previa que o Cantareira tinha 93% de chance de chegar ao fim de abril com 10% da capacidade do volume útil. Nesta sexta, restavam 62 bilhões de litros nas represas, que devem durar até novembro. Para garantir o abastecimento sem decretar racionamento, até março, a Sabesp pretende utilizar uma segunda cota do volume morto. A ANA condicionou a autorização ao plano de contingência.

Outra ausência. Na quarta, o DAEE já havia deixado de participar de uma reunião da Bacia do Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), onde 5,5 milhões de pessoas são abastecidas pelo Cantareira, para discutir uma proposta de reduzir em até 30% a captação de água, se o nível dos rios e represas baixar mais. Na semana anterior, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, descartou dar depoimento à CPI da Câmara que investiga a falta d’água, alegando motivos de saúde. Procurados, Sabesp e DAEE não se manifestaram.

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