Organizadores reforçam tom político da Parada Gay em SP

Para presidente da APOGLBT, festa existe para mostrar o orgulho dos gays, mas que o tom é político

Carolina Freitas, Agência Estado

19 de maio de 2008 | 21h55

Os organizadores da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT) de São Paulo querem reforçar o tom político da manifestação deste ano. A Parada 2008 acontece neste domingo, 25, a partir do meio-dia, na Avenida Paulista. "A Parada é política", afirmou o presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT-SP), Alexandre Santos. "Existe também uma festa, para mostrar o orgulho que sentimos de ser o que somos, mas o tom é político. Queremos que quem for entenda o sentido do que está fazendo." Veja também:GLBTema: O hino da Parada Gay  Parada Gay anima ilha do Vale do Anhangabaú no Second LifeO maior arco-íris do mundo em São Paulo Para o coordenador-geral das atividades do Mês do Orgulho GLBT, Manoel Antônio Zanini, a função principal da Parada é conscientizar a população. "Queremos vender conscientização, não um show popular", disse Zanini. "A maior beneficiada precisa ser a causa GLBT." O coordenador-geral de Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo, Cássio Rodrigo, explica o caráter da manifestação: "É um protesto pelos direitos que nos são negados nos outros 364 dias do ano." A Parada, que reuniu 3,5 milhões de pessoas na última edição, vai protestar contra a interferência da religião nas decisões políticas e jurídicas do País. Uma das principais bandeiras levantadas pelo tema "Homofobia Mata! Por um estado laico de fato" é a aprovação do Projeto de Lei 122/06, da Câmara dos Deputados. O PL criminaliza a homofobia e pune quem discriminar homossexuais em espaços públicos, privados, no ambiente de trabalho ou impedir a expressão de afetividade entre pessoas do mesmo sexo. Para Santos, a Parada pode sensibilizar deputados e senadores para que garantam os direitos dos gays. "O Congresso não pode ser confundido com o púlpito de uma igreja", disse. "A lei deve servir a crédulos e incrédulos. O Estado precisa ser o maior protetor dos nossos direitos." O PL foi aprovado na Câmara, mas teve a votação adiada no Senado na última quinta-feira, 15, por pressão de lideranças religiosas. Estrutura Cuidarão da segurança dos participantes nos 3,5 quilômetros do percurso da Parada 1 mil policiais militares e 320 segurança particulares, contratados pela organização do evento. Outros 400 homens da PM patrulharão os arredores do evento. Antes do início da manifestação, agentes da polícia e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) farão uma varredura para inibir a venda de produtos irregulares. No ano passado, um vinho feito em fundo de quintal levou muita gente aos postos médicos. Para garantir a remoção de quem precisar de socorro, haverá oito bolsões com grades e dois recuos ao longo do percurso. No recuo em frente ao Cemitério da Consolação, haverá um telecentro para registro de boletins de ocorrência. Para casos de emergência, haverá 26 ambulâncias e três hospitais de campanha com um total de 80 leitos, no Parque Trianon, no Cemitério da Consolação e na Praça Roosevelt. Um helicóptero da PM ficará a disposição. O coronel da PM Álvaro Camilo, responsável pela segurança do evento, recomendou aos participantes moderação na ingestão de bebida alcoólica e atenção a câmeras fotográficas e celulares. A falta dos dois cuidados provocou a maioria das ocorrências na edição anterior da Parada. "Pegamos várias pessoas com até 20 celulares roubados. É o furto de oportunidade", diz Camilo. Pesquisa A Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio) vai aproveitar as comemorações do Mês do Orgulho GLBT para fazer uma pesquisa para a criação de um selo de Qualidade no Atendimento e Respeito à Diversidade Sexual. "Atender bem tem tudo a ver com respeitar a diversidade", diz o diretor de Marketing da Fecomércio, Adriano Sá. A Federação fará uma pesquisa qualitativa com o público da Feira Cultural GLBT, que acontece na quinta-feira, 22, na Praça da República. "Vamos delimitar com base nesses dados os pontos determinantes para a concessão do selo", explica Sá. "Existe um aspecto comercial, de mostrar aos comerciantes que incluir é um bom negócio, mas também um aspecto mais amplo, de sustentabilidade social."

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