Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Organização Missão Belém recolhe pessoas na Cracolândia

Cerca de 80% dos acolhidos nos sítios de Jarinu frequentavam a área de consumo de drogas no centro de SP

Fabiana Cambricoli e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

19 Julho 2017 | 03h00

O número de abrigados no principal sítio da Missão Belém em Jarinu, o São Miguel Arcanjo, quadruplicou em oito anos, segundo relato do próprio coordenador do grupo, Marcio Antonio dos Santos.

Ex-dependente químico atendido no local em 2009, o hoje responsável pela missão disse que a propriedade abrigava 125 pessoas quando ele chegou ao local. Hoje, são mais de 450. Santos nega, no entanto, que haja superlotação. “Temos espaço para todos.”

O Estado esteve no local na sexta-feira e visitou algumas instalações. O sítio São Miguel Arcanjo é dividido em 25 casas com capacidade para 15 a 20 pessoas cada uma. As tarefas de cozinha e limpeza são desempenhadas pelos próprios internos. Cada espaço tem um coordenador, também ex-dependente tratado no local.

Os dormitórios visitados pelo Estado estavam limpos e organizados, assim como um espaço comum onde são realizados eventos. A reportagem presenciou, no entanto, um interno transportando junto ao corpo um grande pedaço de carne de um animal recém-abatido.

Cerca de 80% dos acolhidos nos sítios em Jarinu são ex-frequentadores da Cracolândia. Pelo menos um terço dos que estão atualmente abrigados é de idosos, muitos com doenças crônicas, deficiências físicas ou problemas mentais.

O grupo religioso conta com voluntários que trabalham nas ruas de São Paulo, tentando convencer usuários de drogas a largar o vício com o auxílio da fé, além de ônibus e micro-ônibus que fazem as viagens do centro da capital paulista até o sítio em Jarinu.

Segundo Santos, os veículos costumavam fazer uma viagem por semana entre São Paulo e Jarinu, levando aos sítios 80 novos abrigados a cada trajeto. A regra só mudou há cerca de um mês, quando moradores da cidade do interior reclamaram da presença de usuários de drogas no município. “Como estavam vindo muitos usuários, alguns desistiam de ficar aqui e iam embora, indo para o centro de Jarinu. A partir daí, suspendemos a chegada de novos abrigados e passamos a fazer um trabalho de pagar a passagem de volta para São Paulo daqueles que querem ir embora”, explica Santos.

O coordenador explica que há mais de 200 voluntários atuando nos sítios da Missão Belém em Jarinu, todos ex-internos. Eles são responsáveis, por exemplo, pelo cuidado dos pacientes mais debilitados. “Temos um cuidador para cada quatro abrigados. Aqui é náufrago salvando náufrago.”

O sítio não tem uma equipe médica fixa, apenas a visita voluntária de um profissional uma vez por semana - a presença médica não é obrigatória em comunidade terapêuticas. Nos sítios ainda há orações, esportes e cursos profissionalizantes. 

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