Márcio Fernandes/AE
Márcio Fernandes/AE

Orelhões terão novas cores: verde, roxo, azul e laranja

Em todo Estado, aparelhos vão perder o verde-limão da cobertura acrílica; mudança faz parte da substituição da Telefônica pela Vivo

FABIANO NUNES , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2012 | 03h07

Há 40 anos a cidade de São Paulo ganhava uma nova cabine telefônica. A cúpula em forma de uma grande orelha foi criada pela arquiteta paulistana Chu Ming Silveira, em 1971. No início, foram batizados de tulipas e capacetes de astronauta. Mas, aos poucos, viraram os famosos "orelhões". A partir deste domingo, eles terão uma nova roupagem: perdem a cor verde-limão e ganham pinturas em roxo, verde, azul e laranja.

A primeira mudança já começou a ganhar as ruas da metrópole. A cor da proteção de acrílico ganhou novas cores, depois de a marca Telefônica dar espaço à Vivo. Nos próximos meses, todos os 198 mil orelhões do Estado, gradativamente, serão trocados pelos novos modelos.

Na Avenida Paulista, alguns aparelhos já foram pintados. Na frente do Conjunto Nacional, na esquina com a Rua Augusta, um aparelho novo divide espaço com o modelo antigo.

Com os celulares, os orelhões perderam espaço entre os usuários, mas ainda são úteis. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil fechou abril com quase 253 milhões de linhas de celulares. Só no Estado de São Paulo, são 61 milhões de celulares. Ou seja, para cada orelhão existem 305 aparelhos móveis. Mesmo assim, o telefone público continua sendo uma alternativa.

A ajudante de cozinha Luana Santana Lopes, de 24 anos, tem dois celulares, mas apela para os orelhões quando precisa retornar uma ligação. "Sempre tenho um cartão telefônico na bolsa. É a melhor alternativa para economizar na conta do celular", explicou.

O telefone público também é uma alternativa para quem está de passagem pela cidade. A pesquisadora Magali Rosa, de 49 anos, que mora na Inglaterra, optou por usar um orelhão no Conjunto Nacional. "Quando venho para São Paulo uso telefone público", disse. Mas a pesquisadora criticou a limpeza dos aparelhos. "Falta uma melhor higienização. Há mau cheiro."

Homenagem. A segunda mudança nos aparelhos é uma intervenção artística. A partir deste domingo, começa a exposição Call Parade. Referência à Cow Parade, que espalhou esculturas de vaca pela cidade, a mostra transformará cem aparelhos com pinturas personalizadas. A intervenção será feita por 90 artistas selecionados em um concurso e outros dez que foram convidados pela Vivo.

Entre os artistas está o arquiteto Alan Chu Silveira, filho da criadora do orelhão, Chu Ming, que morreu em 1997. "Ele fez uma obra conceitual chamada calendário lunar. Seu orelhão ficará na Avenida Brigadeiro Faria Lima", disse o engenheiro Clóvis Silveira, viúvo de Chu Ming. De acordo com a Vivo, a capital tem 48 mil orelhões. Todo mês, 25% deles são alvo de vandalismo e cerca de 12 mil aparelhos passam por manutenção.

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