Ordem Terceira terá fachadas restauradas

Igreja no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, recebeu autorização para a segunda fase das obras

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2011 | 00h00

Tal e qual os próprios ritos da Igreja, o trabalho de restauração de um templo histórico tem suas etapas, divididas meticulosamente. Assim pode-se analisar a restauração da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco. A obra acaba de receber autorização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) para o início da segunda fase, a restauração das fachadas, pintura e esquadrias, além da instalação de equipamentos de acessibilidade.

"Basta termos a captação dos recursos, via lei de incentivo, e iniciarmos o trabalho", explica Rosana Delellis, diretora da Formarte, empresa responsável pelo projeto, viabilizado pelo Instituto de Cultura Democrática. O trabalho - orçado em R$ 3 milhões - deve começar até março e ser concluído em um ano. O prédio é um dos mais representativos remanescentes da arquitetura paulistana do século 18.

O templo foi erguido em 1676, mas a ligação por um arco à Igreja da Ordem Primeira teve as obras concluídas em 1736. Em 1783, graças à doação de um terreno, a pequena capela foi ampliada, transformando-se na igreja com contornos atuais, com entrada pelo Largo.

Em 2009, foi interditada por risco de desabamento. "A estrutura estava comprometida por cupins e umidade", diz o engenheiro Wilson Braga. As paredes, na maior parte de taipa de pilão, estavam em péssimas condições. Um ano depois, as obras foram iniciadas. Na primeira fase, foram refeitas instalações hidráulicas e elétricas, ao custo de R$ 5 milhões.

Nova fase. Resquícios de afrescos foram descobertos por baixo das camadas de tinta das paredes. A ideia não é recuperar toda a pintura original, mas manter essas "janelas" à mostra, protegidas por vidros. "Recuperar toda a pintura original deixará a obra 100% mais cara", justifica a arquiteta Fabíula Domingues.

Um inventário das peças da igreja também foi feito. São 7 mil itens, entre obras de arte sacra, ornamentos e documentos. Em 2012, deve-se iniciar a terceira e mais delicada fase: o restauro de peças sacras, quadros e altar. Ainda sem orçamento.

POR DENTRO DA IGREJA

Pinturas e restos mortais

Dentro da igreja, nas laterais, há vários retábulos em estilo rococó e sua cúpula original ostenta pinturas do fim do século 18. Lá também está o maior conjunto de pinturas atribuídas a José Patrício da Silva Manso, mestre-pintor mineiro que trabalhou em São Paulo entre 1777 e 1801.

A igreja ainda guarda, em seu interior, os restos mortais do militar Rafael Tobias de Aguiar, patrono do 1.º Batalhão de Polícia de Choque Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).

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