Oposição vence eleição do sindicato dos motoristas de ônibus de SP

Noventa, o eleito, foi investigado pela Polícia Civil sob suspeita de usar uma cooperativa de vans e ônibus para lavar dinheiro obtido pela facção criminosa PCC

Bruno Ribeiro e Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2013 | 12h27

SÃO PAULO - A chapa de oposição do Sindicato dos Motoristas e Funcionários do Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) venceu a conturbada eleição da diretoria da entidade. O resultado foi confirmado na manhã desta segunda-feira, 2,  pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O candidato de oposição, Valdevan Noventa, obteve 11,6 mil votos e deve tomar posse em dezembro. Ele derrotou o atual presidente, Isao Hosogi, o Jorginho, que teve 8,7 mil votos. A eleição deveria ter ocorrido em julho, mas uma confusão acabou em tiroteio no sindicato e a disputa foi adiada.

Noventa, 44 anos, é filiado ao PDT e já foi vereador de Taboão da Serra, na região metropolitana. Era diretor de Finanças da atual gestão de Jorginho, até romper com o atual presidente. Nos anos 90, ele foi indiciado em inquéritos policiais sob a acusação de roubo, estupro, homicídio e outros crimes, mas não sofreu condenações nesses casos. Mais recentemente, em 2011, foi investigado pela Polícia Civil sob suspeita de usar uma cooperativa de vans e ônibus de transporte público para lavar dinheiro obtido pela facção criminosa PCC.

Os dois candidatos trocaram acusações de enriquecimento ilícito e ligação com o crime organizado. No dia marcado para a eleição da entidade, no fim de julho, uma confusão relacionada à distribuição das urnas terminou em um tiroteio que deixou três pessoas baleadas. O inquérito sobre o caso ainda está em andamento na Polícia Civil.

Por causa da violência e da ameaça de paralisação da categoria por causa da disputa, o que poderia prejudicar milhões de passageiros de ônibus, a nova eleição foi organizada e supervisionada pelo MPT. Os votos foram computados entre quinta e sexta-feira e a apuração foi feita sob orientação da procuradoria.

A eleição teve, ao todo, 21,3 mil votantes. O sindicato tem cerca de 29 mil eleitores. A reportagem tentou contato tanto com o atual presidente quanto com o sucessor, mas nenhum dos dois foi localizado na manhã desta segunda-feira, 2.

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