Operadores do Hopi Hari entram em contradição

Todos sabiam da trava com falha que causou morte, mas ninguém admitiu estar no controle

TATIANA FÁVARO / VINHEDO, O Estado de S.Paulo

08 Março 2012 | 03h04

A polícia terminou de ouvir os depoimentos dos funcionários do Hopi Hari que atuavam no brinquedo La Tour Eiffel quando aconteceu a morte de Gabriella Nichimura, de 14 anos, no dia 24. Os cinco admitiram saber da trava desativada no assento da adolescente e disseram ter alertado os superiores sobre o problema. Mas entraram em contradição ao relatar o que cada um fazia na hora da tragédia - e a quem caberia supervisionar a entrada.

O delegado de Vinhedo, Álvaro Santucci Noventa Júnior, ressaltou que poderá até fazer acareações entre os funcionários, para tentar descobrir o que aconteceu. "Existe essa hipótese." No momento, segundo ele, ainda não é possível estabelecer culpados. "Vou verificar a responsabilidade de cada um e a veracidade dos depoimentos de todos."

Nos cinco relatos, registra-se que o atendente sênior Lucas Martins foi informado do problema com o brinquedo 15 minutos antes da abertura dos portões. A ele, a funcionária Amanda Cristina Amador, de 20 anos, teria dito que a cadeira travada do setor 3 estava abrindo. "Prossegue que estou acionando a manutenção", teria respondido Martins. A polícia ainda tenta entrar em contato com o advogado de Martins, para saber sua versão.

Nos depoimentos, nenhum dos operadores admitiu ter garantido a segurança do brinquedo para as pessoas que subiam naquele momento. "Ainda não dá para responder quem disse à mãe que o brinquedo era seguro", ressaltou o delegado.

Negativas. Noventa Júnior explicou que o principal ponto de discrepância entre os depoimentos é sobre a posição que cada um dos operadores ocupava no dia do acidente. Segundo a polícia e a Promotoria, Gabriella sentou-se em uma cadeira do setor 3 da torre, que estava inutilizada havia ao menos dez anos e deveria estar inoperante.

Ouvido ontem, Edson da Silva, de 23 anos, negou estar naquela seção da atração, ao contrário do que disseram anteriormente os colegas Vitor Oliveira, de 24 anos, e Marcos Leal, de 18. O operador informou que os funcionários se revezam entre as seções do brinquedo e a cabine de operação durante o dia. Silva disse no depoimento que quem estava no setor 3 era Leal.

Na fotografia mostrada pelos pais de Gabriella na semana passada aparecem Marcos Leal e Edson. O primeiro está na frente dos Nichimuras, sentados nas cadeiras da seção 3. Na foto, Silva está ao lado do mesmo conjunto de assentos. O rapaz chegou ao DP acompanhado de dois advogados do Hopi Hari, que defendem também as operadoras Amanda Cristina e Luciana de Lima Ribeiro, de 40 anos.

Os depoimentos delas não apresentaram grande diferença em relação ao de Silva. O parque informou apenas que colocou à disposição de funcionários assessoria jurídica e psicológica.

Nenhum depoente falou com a imprensa na saída da delegacia. Procurado, o advogado de Leal, Bichir Ale Bichir Junior, reiterou que seu cliente estava em movimento na hora da tragédia.

Próximo passo. Hoje, a polícia deve ouvir funcionários dos setores de gerência, operação e manutenção. Ainda não há um prazo para o fim das investigações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.