Nilton Fukuda/ESTADÃO
Nilton Fukuda/ESTADÃO

Operadoras de telefonia vão monitorar distanciamento social em São Paulo

Parceria do governo visa mapear aglomerações com mais de 30 mil pessoas em todo o Estado; 49% da população está cumprindo a medida. Ideal é 70%, de acordo com o Estado

João Ker, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2020 | 14h52

Diante do avanço do novo coronavírus em São Paulo e com a maior movimentação de pessoas nas ruas durante o período de quarentena, o governo de São Paulo anunciou nesta quinta-feira, 9, que vai atuar em parceria com operadoras de telefonia celular para o monitoramento de aglomerações. Dados divulgados pelo Estado mostram que ontem apenas 49% da população respeitou a quarentena no Estado. Na capital paulista, esse índice foi de 51%. O ideal, segundo o governo, é um isolamento domiciliar de 70%.

De acordo com o Estado, o Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi-SP) contará com o apoio das quatro operadoras que atuam em São Paulo, Claro, Vivo, Oi e Tim, e vai mapear aglomerações com mais de 30 mil pessoas em bairros estratégicos da capital e em municípios com população superior a esse número. A fiscalização será feita por meio de sinais telefônicos. Nesta quinta, a Prefeitura já bloqueou o acesso à Praça Pôr do Sol, em Pinheiros, com tapumes.    

"Essa informação é trazida de uma forma completamente anonimizada. O governo não tem acesso aos dados individualizados, apenas agrupados, que é o suficiente para conseguirmos entender o comportamento em cada região e bairro", afirmou a secretária de Desenvolvimento Econômico Patrícia Ellen

Além do mapeamento, o serviço irá emitir automaticamente mensagens de texto gratuitas para todos os celulares que forem identificados em áreas com alto risco de contaminação pela covid-19. Isso será possível a partir de um cruzamento dos dados obtidos no monitoramento com o registro de infecções da Secretaria de Saúde.  

"Com 100% dos usuários de telefonia celular em São Paulo, nós podemos identificar os locais onde as pessoas estarão e onde houver concentração para analisar o percentual de isolamento e também ações de orientação e advertência, se necessário", afirmou o governador João Doria (PSDB). 

O monitoramento já é feito em um gabinete de mapeamento digital, no Palácio dos Bandeirantes. As informações serão apresentadas em um modelo de “mapa de calor” que indica mais ou menos concentração populacional por localidade, em diferentes períodos. A expectativa é que esses dados também sejam disponibilizados publicamente, por meio de um boletim diário com as taxas de distanciamento observadas no Estado.

Apenas na terça-feira, 7, as linhas de ônibus da capital tiveram 810 mil passageiros a mais do que o registrado em 27 de março, quando a quarentena ainda não havia completado uma semana. O aumento também foi observado nas linhas intermunicipais, nos trens e no Metrô

Na mesma data, o Metrô operou com cerca de 20% da demanda de passageiros, os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) registraram 27% e as linhas de ônibus intermunicipais 28%, ante períodos de atividade normal, sem restrições, segundo dados da Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos (STM). A variação foi de 1% a 2% no número de passageiros em apenas uma semana, um aumento de 83 mil a 166 mil pessoas no período. 

São Paulo tem o maior número de mortes e de caos confirmados do novo coronavírus. São 408 mortes e 6.708 casos confirmados. A quarentena no Estado foi ampliada e é válida até o dia 22 deste mês. Durante o anúncio, Doria afirmou também que não haverá nenhum tipo de relaxamento na medida e reforçou o pedido para que as pessoas não viajem neste feriado de Páscoa.

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